29 de mai de 2013

A jornalista Cristina Aline Schlosser, me entrevista

Qual o título da palestra aos alunos da UNIPAR CASCAVEL?
A DESCONSTRUÇÂO DO DESIGN

Quais foram os principais tópicos abordados ?
As grandiosas e impactantes mudanças sociais, iniciadas nos Anos 6O, que ficaram mais conhecidas como a "Revolução dos Costumes".

Elas aconteceram. NÂO por que uma geração queria re-evolucionar (no sentido de evoluir mais uma vez), mas por que todas as famíias, já naquela ocasião, eram outras, distintas da geração anterior, de um modo inegociável, propício, portanto, à uma grande ruptura.

E nunca é o mundo, quem muda. O que denominamos de "mundo", é apenas um ente abstrato, uma linguagem figurada, que inventamos apenas para tentarmos organizar escala planetária e, assim, "fingirmos que entendemos" um todo, um "algo" bem maior, do que nossas medidas, as quais, pelas rotinas, são de pequena escala, diriamos, "locais".

Quem muda o mundo, na realidade, são as próprias pessoas do mundo.

E às vezes, mudanças ocorrem de forma isolada, porém, simultãnea.


Tão logo mais e mais pessoas percebem um "modo melhor" de vida existencial, em alguns casos, aderimos às novidades, quase sem percebermos.
Entretanto, isto, do "nôvo",  é o próprio mecanismo da Evolução: É uma Lei da Natureza. 

Infelizmente, o Marketing e a Publicidade, entre outras "ciencias modernas", estudam profundamente esses mecanismos -com os quais já nascemos com eles-  e, muito subrepticiamente, nos manipulam estética e emocionalmente, de forma constante para nos fetichizar.

Os únicos intuitos do Marketing e da Publicidade? Fácil: O de nos transformar em meros consumidores, seja de produtos, alimentos industrializados ou serviços, não raro, itens que viveriamos toda um existencia, sem precisarmos deles. 

Se pensar que já fomos "Nômades" em 99% de nossas existências na Terra.
No 1% restante, experimentamos a vida como Súditos.
E depois, com o advento da Democracia, a condição de Cidadãos.
Hoje, em que nos tronamos? Consumidores. Em alguns casos, "Colaboradores".


Assim, abandonar esse "encargo" ( o de Cidadãos), para prossegurimos adiante, mas agora, na qualidade de "Consumidores", é um desastre, literalmente, "ambiental",  de proporções cósmicas. 


É fazermos nada, com o tudo que herdamos das mais diversificadas Civilizações.

Vou me utilizar de uma experiência pessoal, aqui:
Eu não tenho mais telefine celular, desde a "minha" gravidez, lá se vão cinco anos.
E em que esta decisão, aparentemente sem-sentido, teria arrasado a minha vida?
Em nada.
Ela apenas mudou, e o mais legal de tudo: Mudou para bem melhor.
Nestes quase 1.500 dias passados, eu continuo sendo convidado, achado, contatado, advertido, elogiado, parabenizado, despedido, contratado, xingado (amigos ligando), amado, exatamente como acontecia, de quanto eu tinha um celular..
Porém, estou vivendo uma rica experiencia, sem planos de telefonia, sem equipamentos novos, sem 0800, sem contas à pagar., sem cargas em baterias, sem atualziações, sem tecladinhos
E, é óbvio, com mais dinheiro no bolso, que pode ser canalizado para algo bem mais legal.

E tem um outro aspecto interssante, mas que poucos evaluam: Sem um fone celular, voce "se torna" muito mais educado, bem mais observador, fica mais sintetico e encara as coisas com mais objetividade. 


No que eu observo, a grande maioria das ligações que fazemos, se não são completamente inúteis, podem ser substituidas por outras estratégias de comunicação. Chegamos na Lua, com um computador de bordo que era uns 2% da potencia de qualquer celular. 

No hoje, não vamos sequer aos toillette, sem portarmos um destes nas mãos.
Ligamos para quem amamos prá dizer isto, poupando de dizermos quando ao vivo.
Nos ocupamos miseravelmente com tudo, para obtermos, rigorosamente, nada. 

E a grande bobagem da vez, agora, é esse tal do GPS...

Nossos cérebros são imensos, alias, são cofres fortes com o o inventariado da Humanidade, desde que nos percebemos como os mais adaptados. GPS é bom, mas só se voce é alguem que depende logistica urbana, e esse não é o caso de nenhum motorista de carro de passeio que conheça.

Agora, "consumidores", todos nós somos. Entretanto, consumir conscientemente, é para poucos, pois requer estudo, percepção, senso crítico e uma observação
atenta às multiplas realidades que nos cercam, todos os dias, o tempo todo,
pois só temos uma única vida. Seu momento, é o hoje, o que voce faz, agora.

Qual o objetivo desta tua discussão?
Especialmente, promover o renascimento da crítica.  Na nossa língua, essa é uma palavra feia, quase um palavrão. Por exemplo, "cri-cri", que não poucas pessoas se utilizam em suas falas, é um apelido de alerta para identificarmos "alguem que reclama com as coisas".

A palavra hifenizada, ela mesma, uma crítica,  é um resumo da própria palavra "crítica", com a primeira sílaba, que é tônica ("crí"), repetida duas vezes.

Entretanto, as origens gregas da palavra crítica, remontam à um tipo de re-conhecimento previo, ou seja, é uma fala de algo, dito por alguem, o qual conhece bem desse algo que está sendo falado.
 
Opinião, todos temos uma, seja do clima ou de uma aparência ou de aspectos.
Depois da opinião, vem o argumento, que é um tipo de fala que é mais profunda, pois exige reflexão para sua popria emissão.
No topo do pensamento humano, reside a crítica, e esta, está em falta. Quase me atreveria em inferir que se trata do propósito de muitos de nossos, digamos assim, "gestôres".
Basta observarmos as TVs, os jornais, as arquiteturas, os costumes, as músicas, a falsa religiosidade inundante... 


Sem termos critica, desandamos sem rumo e dissolvemos todo os conteudos.
As coisas ficam todas em um mesmo plano, e isso, em se tratando da Vida, é impossivel. Sem a crítica, nos tornamos rasos demais, binários demais, previsíveis demais ou seja:
Nos tornamos tudo ,do exatamente de como um Ser Humano não o é.

Outras tres, das varias formas de pensarmos e exprimirmos, é a divagação, a associação de idéias e o nada. O nada, é mais dificil, pois somos latinos, e latinos são "over" em tudo. 

Veja com atenção os lotes urbanos: Não importa se é uma favela ou mansão, nós brasileiros ocupamos 80%, 90% do espaço livre disponivel, construindo. Fazemos isto, pois não toleramos o "vazio"

Entendemos um espaço não ocupado, como "perda" e, daí assim, perderemos de fato qualidades formidáveis, seja nas vistas, nas continuidades da pasiagem, na percepção do ambiente, nas brisas, no potencial humano, na insolação.
Na visão das estrelas, da Lua (alias, nos fomos lá, por que ela estava lá) dos percursos solares, do jato que passa cintilando alto no céu noturno, nas chuvas...
Coisas simples, existenciais,  das quais, para a maoria, "quando eu ficar rico", e, em ficando, tentarão recuperar quase em desespero.
Mas na média, ainda que re-mediado, continuaremos os mesmos!

Qual a importância do contato mais específico com esse tema, para os futuros profissionais da Moda?
A moda não mais existe , de como a conheciamos tem 20 anos.
As origens dessa palavra, está em "molde", que é algo mole, que se
ajusta às necessidades  uma forma, de algo pré-existente, uma "fôrma".
Quando dizemos "moda", é dizer "da forma de", ou "do modo de".


Os primeiro hominídeos que cobriram seus corpos, nas várias Eras do Gelo pelas quais já enfrentamos, em primeiro lugar, estavam propiciando uma "arquitetura de vestir".
Ou seja era um abrigo, só que portátil. 

Ainda hoje em dia, fala-se muito no tal de "Homem das
Cavernas". Pois bem, aqui vão as novidades: Ele é só um mito que mora em livros escolares. Ele nunca existiu, realmente e por isto, eles não são os nossos Ascendentes. 

Cavernas, rarissimas, alias, eram abrigos temporarios, como se fosse uma espécie de um pic-nic prolongado ou um acampamento estratégico.
Note que o nosso design, é claramente orientado ao ato exploratorio: Podemos caminhar de Cascavel á Foz, à pé, sem muitos danos decorrentes, pelo contrário! Enxergamos muito bem em dia claro, quase 40km adiante, podemos tomar chuvas e vento, nossos olhos se adaptam ao escuro e somos bastante resistentes, quando em grupo.


Se realmente fossemos todos descendentes dos tais "homens das cavernas", nunca,
em momento algum de nossas evoluções neste planeta, usariamos roupas ou projetariamos nossas arquiteturas. 


Nem música criariamos, muito menos a fala, a qual, somada com nossa habilidade manual, nos permitiu ferramental de uso e desenvolvemos a habilidade do desenho.
Esses desnhos, combinamos como signos, as nossas primeiras letras identificáveis..
Sedentarismo, como é no caso do Homem das Cavernas, é algo que exportamos para o Passado, à revelía destes nossos valentes ancestrais.


Eles não paravam quietos, pois, se assim nao o fossem, a Mamâe Natureza os aniquilava, rapidamente, bastando apenas uma estiagem mais prolongada ou severa.

Somos descendentes de andarilhos. De Nõmades. A especialização de nossas habilidades, multiplicou por cada novo individuo nascido, e assim, criamos civilização. E a moda, no meio.

Entretanto, para 2013, houve uma ruptura, um retorno ás origens: Antes, o entendimento geral apenas as "maisons" (não por acaso, as griffes se denominam "casas", o que dá à entender um isolamento das realidades cotidianas) produzem de cima para baixo.  Até inventamos o termo "alta costura", prá dizermos de um lugar.

Mas, o que observamos, é que as ruas é que ditam o grosso das necessidades.
Seria uma Baixa Costura?
Eu infiro que, com essa quantidade formidavel de mentes privilegiadas, pensando e fazendo a "Moda", ficarei feliz com o dia em que teremos uma nova classe de Alfaiates, produzindo roupas pernsonalizdas, para uma única pessoa.


Como, aliás, já é o caso de varias pessoas, incluindo eu mesmo: 3O% de meu guarda-roupas, é de peças costuradas à mão, em trajes elaborados levando em conta o design especifico do meu corpo atual.
É um estoque de roupas apropriadas às minhas necessidades profissionais, familiares, esteticas, existenciais e, claro, históricas. 


Somos seres memoriais, todos nós. 


E, Dinheiro, que dizem ser o Tempo (só que não...) é mais como uma energia, é um recurso, escasso e raro. Mas que tem que circular.

Então, com a concentração, pode-se, sim,  amealhar fortunas, mas é nítido que são poucos aqueles que conseguem viver bem. talvez, esquecem de suas memórias, implantando outras.

Aparentemente, alguns de nós não possuimos a capacidade de avaliarmos as escalas e as proporções das coisas, e,  a nossa "natureza", pode achar que temos pouco, mesmo tendo muito. 

É aqui nesse momento, que o marketing pode e vai- nos seduzir, em direção, por exemplo, ao que não somos, nem precisamos ter, exibir, guardar ou possuirmos

A moda, por focar em pessoas no final, deve ser, portanto, um ente responsável.

Ele deve focar na busca de um mundo mais equilibrado, pois só temos essa única "maison" para existirmos, porém, a quantidade de pessoas dentro dela, só aumenta.
Estamos nos rumos certos, nas nossas aspirações existenciais?


Ou a vida só serve como vida, se for só para ganharmos dinheiro?

E a arte, onde fica em tudo isto? 

Deixaremos que os europeus, os orientais e os norte-americanos, que realmente a valorizam e investem pesado em seus artistas e criadores, cuidem e floresçam com elas?

A realidade brasileira, no campo do estético, é que este país é hostil não somente às Artes, mas também aos Artistas e aos seus Criadores. 

Somos, agora, a 6a. Economia do Planeta Terra. SEXTA!
E, para o que?
Para vendermos carros que serão sucatas em 10 anos, alimentos naturais e commodities?
 

Em 20 anos, seremos um paradoxo: Riquissimos materiais, mas com uma pobreza existencial de proporções continentais.

Por sorte, ainda estamos com tempo, para revertermos esse cenario pobre, raso e previsivel.

Seja escolhendo atuar menos como Consumidores, e mais, enquanto Cidadãos.

Seja desarmando a armadilha, da qual nós mesmos deixamos que nos peguem.

É apenas uma questão de escolha.

Alias, como em tudo, na vida.

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