20 de dez de 2008

EXÓTICOS


BUM! Ouço o estrondo seco e, depois, silêncio. Corri à janela
de meu estúdio,
escanerizando a ainda outonal paisagem de
Dezembro de 2005, pois dos sons
"ruins" e habituais, esse
configurava-se em uma espécie rara de "
familiar novidade".

Os mais comuns, são estrondos secos seguidos de muito
barulho (
pois nossa CMTU insiste em tratar as artérias
locais com displiscencia digna de bairros do
tipo deixa-prá
), as tantas capotagens após colidirem com 2 ou 3 carros.

Parados.


Nada.

Olho para o poste e noto o Transformador lá em cimão,
exalando fumaças,
como se tivesse acabado de degustar
um bom charuto baiano, os halos de
fumo branco se dis-
persando lentamente na frente do azul do céu ao fundo.


Escanerizo tudo e noto um Bem-Te-Ví inerte no chão da
calçada, o piador
que alegrava várias das manhãs da Rua
Paranaguá, jaz deitado no cimento numa
posição estranha,
meio de lado e... como se estivesse querendo sentar-se,

postura indigna demais, imprópria demais, até mesmo eu
diría "humanizada demais", para significar
algo de bom.

Instintivamente, como se pressentisse estar sendo muito
observado, resolvo
erguer o queixo e, de fato, lá do alto do
mesmo poste admiro a sua discreta
companheira fitando o
amigo lá embaixo, e, balançando a cabeça, ora para
a direita,
ora para a esquerda, talvez tentando entender, talvez até
mesmo
perguntando-se algo estranho como "Ué, mas então
ele vai resolver ficar deitado, ali embaixo... ATÉ QUANDO?
",

Irracionais, os animais, eles ensinaram-me, pelo observado,
demasiado cedinho, nessas escolas.... Demasiado cedinho.


Recolhi o animal, estranhamente quente, mole como um
pano em minha
mão, aproximei-o de meu rosto para admirar
de perto o seu "rosto", algo
de sublime num design elegante,
preciso, belo, as formas seguindo as
suas funções, me senti
deslocadamente mal, depositando-o em um... Latão de Lixo.


Passados alguns dias, de passagem pelo umbral, ouço um
farfalhar suave
no pequeno gramadinho do térreo, algo se
mexendo com dificuldade típica,
onde a escuridão promovia
o renascer dos nossos obscuros memoriais fantasmáticos.


Investigando, agora me surpreendo, entre sorridente e
algo apreensivo, meu
encontro com o filhote, um protótipo
em fase de pré-acabamento do pai
já morto, debatendo-se
com sua asa quebrada. Com custo e apavorado
de piorar a
sua já complicada situação, consigo pegá-lo com extrema e

mesurada delicadeza e, já tarde da noite, melhor instalá-lo
numa caixa
de sapatos e amanhã veremos como proceder,
não sem antes ter notado
uma fratura exposta, onde em nós
humanóides sería o antebraço, ossos
quais palito-de-dentes,
avícola do tamanho de um celular. Um celular dos PEQUENOS.


Manhã seguinte, o micro Bem-Te-Ví ainda vivo, alerta, olhos
esbugalhados
e um lutador, levei-o ao (onde mais?) Hospital
Veterinário da UEL, onde
lá desculpam-se num automático:

"
...não atendemos animais exóticos".

Fiquei mudo.


Desconfortado, entro em meu confortável carrão e, é claro,
caiu a ficha no
rolar suave em meu combate diário ao trânsito
estúpido, encenado por
idiotas nos condenando, um engano,
o atendente quis dizer-me, SIM, EU QUERO CRER, "
silvestre".

O ano? Era algum lá da Década de ´60. O investimento, um
pouco além dos 2
milhões de dólares. O projeto? Contratar
designers para redesenhar os topos
( terminações da corôa )
de todos os postes com mais de 50 anos de idade
que então
rasgavam ( via "progresso" ) as pradarias norte-americanas,
estas, com
suas imodestas 450 Milhões de Primaveras, todas
aniversariadas sem a ínfima, remota presença dos Humanos.


O motivo: Evitar as contínuas eletrocussões daquela que é
sua portentosa ave-símbolo
nacional, as Águias-de-Cabeça-
Branca, quase pré-extintas, pois seu porte
era bastante
similar ao do gabarito da distância entre fios energizados,

os quais as matavam quando as aves abriam suas grandi-
osas asas, assim
gerando o curto-circuito fatal e sua sen-
tença definitiva, sem ser a culpada.


Enquanto isso, um portentoso centro educacional e modelo
nacional, pelo
que pude inferir, prepara-se e aos seus para
uma dicotomia do futuro das
nossas mais recentes urbani-
dades, onde nossos animais... "de estimação"
* resumir-se-
ão à
Au-Aus e Miau-Miaus. Bem te vi, humano: Bem te vi !

,

,

*PS: Quando pequeno, imaginava-me ser possível, tão logo adulto me tornasse, comprar e importar um Dragão-de-Komodo adolescente e passear com ele pela vizinhança do bairro, claro que com ele completamente seguro e preso, atrelado à mim por uma coleira peitoral... ;)

.

30 de nov de 2008

AJUDA à BLUMENAU

Destaco a grandiosa ajuda governamental à castigada Blumenau, feita pelo Sr. João Rodrigues Chaves, providenciando a distribuição de alimentos, ordenando a execução de obras emergenciais , autorizando a liberação de recurso financeiros e coordenando as coletas e a distribuição de donativos para socorro às vítimas das enchentes do Rio Itajaí, também conhecido em tupi pelo binômio Ytajahi-Açu, ou seja, de um rio que fica grande.

Me lembra as bizarrías brasileiríssimas de ITAORNA, "pedra podre" (local onde engenheiros escolheram prá erguer a Usina Nuclear de Angra dos Reis, num pais plenamente hidráulico) e CUM´BICA, "nuvem baixa" (local onde os engenheiros esolheram para erigir o Aeroporto Internacional homônimo).

Aliás, esse "Seo" João até mereceria uma estátua à beira-rio em breve (cujo nariz ficasse acima da linha d´água nas enchentes, em respeito ao nobilíssimo cidadão), não fosse pelo fato deste Presidente da Província do Império do Brazil ter realizado tais nobilíssimas façanhas, num longínquo ano de 1880.

Isto que os próprios locais, lembram sempre de suas histórias, veja:


" No dia 2 de Outubro de 1911 acontece aquela que foi a maior enchente jamais
vista em Blumenau. As águas do Rio Itajaí-açú alcançaram 16,27 metros. Duas
outras enchentes situam-se em 2º. e 3º. Lugar no “ranking”. A chamada “grande
enchente” de julho de 1983 que atingiu15,37 metros no dia 07. Foi a mais catas-
trófica de todas. A cidade ficou inundada por 10 dias. Em 06 e 07 de Agosto,
ainda não recuperados do ano interior, os blumenauenses são surpreendidos
por outra enchente. Desta vez atingindo 15,67 metros. Felizmente foram só
dois dias 06 e 07 de Agosto."


Este é o verdadeiro Brasil, país de todos e onde o brasileiro de verdade mora, vive, trabalha e habita. Blumenau já teve sessenta e seis (66!) enchentes problemáticas desde então e, como na indústria da seca do nordeste, seus governos sucessivamente incompetentes, assistem o ceifar de vidas, até que poucas, dada a tragédia anunciada, lá se vão quase 150 anos.

Arquitetos, Geógrafos, Biólogos, não se cansam em alertar da ocupação irregular de encostas, teimosía em não considerar a Cota Histórica das Enchentes (disponível em anotações minuciosas desde 1880!), servindo mais uma vez à justificar um Governo Municipal inoperante, um Governo Estadual omisso, um Governo Federal oportunista, liberando oportunos DOIS BILHÔES DE REAIS no afoagadilho, com perdão do trocadilho absurdamente infame, face á tragédia e da necessidade urgente de solidariedade inadiável.

Se nem depois do ladrão, nossos irmãos blumenautas querem por a tranca, me sinto autorizado em despachar uns calções de banho, prá continuarem espadanando em suas histórias, apesar de ter feito meu depósito bancário hoje, em solideriedade às vitimas ditas "inocentes".

Pois desconfio que vão reconstruir suas vidas exatamente como dantes, expondo-se e aos seus, inutilmente, à futuras tragédias eternamente pré-anunciadas, como pescadores ignaros que refazem cabanas, mesmo que as águas da ressaca a tenham destruído pela undécima vez.

Perseverança é um coisa. Irresponsabilidade, é uma outra coisa muito diferente e, se eu morasse naquelas áreas atingidas por tamnha destruição, ingressaría com pedidos quackbilionários de indenizações por improbidade administrativa (NO MÍNIMO) ao longo da calha do Rio Itajaí-Açú, desde que a grana saísse dos bolsos de Prefeitos, Vereadores e Governadores de Santa Catarina.


Entretanto...

... nós por aqui, com os Pés Vermelhos, temos muito o que lamentar dentro de nossas próprias casas, quais típicos Rôtos, criticando aos Esfarrapados...

Sim, pois enfrentamos outras "enchentes" tão nocivas quanto, que invadem nossos recursos públicos e parecem sempre assombrar nossos patrimônios de tempos em tempos, deixando rastros de destruição absoluta e de escabrosas impunidades sucessivas, escamoteáveis com liminares eleitorais, lembrando-nos acintosamente que nós também não aprendemos direito com nossos próprios erros domésticos.
Teremos mesmo esse futuro brilhante que se avizinha e que tanto sonhamos, trabalhando arduamente por ele ?

Ou a próxima "inundação" colocará tudo à perder, como sempre ?

Se a História só se repete como Farsa ou Tragédia, vou contrariar essa tal de História e ficar com nenhuma dessas duas opções, reinventando-a onde possível for.

Mãos à obra, pois!


CHRISTIAN STEAGALL-CONDÉ

.

10 de set de 2008

DNA

Se voce olhar pelo Google Earth, em qualquer cidade
brasileira com mais de 100 anos ( ou seja, estamos
falando da quase totalidade nas 5,5 mil Cidades...
),
voce vai notar uma ocupaçao do espaço, disponível e
individualizado do Lote Urbano, beirando seus 100%.

Um dos maiores problemas da Construçao Nacional,
sem dúvidas, trata-se da BRUTALÍSSIMA, QUASE
MALDITA herança cultural ibérica, mais justamente,
a Portuguesa: Temos Cidades Medievais "modernas".

O Segundo maior de nossos muitos problemas, é a
falta de profissional habilitado em momentos-chave
e isso, nao é na fase Cimento-Pedras-Areia, mas na
etapa crucial, sempre desconsiderada, do PROJETO.

Estamos falando do PROJETO e nao de um desenho
em uma folha de papel almaço ou rabiscos em um
caderno pautado... Arquitetura é prá profissionais.

o Terceiro maior dos problemas, falta quase eterna
de PLANEJAMENTO, seja no individual ou no coletivo
e o Quarto problema? Uma Burrice Pura & Simples...
onde demos um "jeitinho" de, muito educadamente,
chamarmos de "OPA!!! MAS EU DEI UM JEITINHO!"

Senao, radiografemos lá do alto, essas nossas multi
incompetencias nacionais e acompanhe nosso Brasil:

Pegue um naco de solo, numa Favela:
Terrenos de 5.00m x 5.00m ( cinco metros por cinco metros ).
O cara, dono desse lote... invariavelmente faz o que?
CONSTRÓI, NOS 9O% DESSA METRAGEM
, é claro...

Pegue um Lote Urbano, tamanho PP:
Terrenos de 6.00m x 12.00m ( seis metros por doze metros ).
O cara, dono desse lote... invariavelmente faz o que?
CONSTRÓI, NOS 9O% DESSA METRAGEM
, é claro...

Pegue um Lote Urbano, tamanho M:
Terrenos de 11.00m x 25.00m ( onze por vinte e cinco metros ).
O cara, dono desse lote... invariavelmente faz o que?
CONSTRÓI, NOS 9O% DESSA METRAGEM
, é claro...

Pegue um Lote Urbano, tamanho G:
Terrenos de 20.00m x 35.00m ( vinte por trinta e cinco metros ).
O cara, dono desse lote... invariavelmente faz o que?
CONSTRÓI, NOS 9O% DESSA METRAGEM
, é claro...

Pegue um Lote, de Condomínio Fechado:
Terrenos de 30.00m x 50.00m ( trinta por cinquenta metros ).
O cara, dono desse lote... invariavelmente faz o que?
CONSTRÓI, NOS 9O% DESSA METRAGEM
, é claro...

Dúvidas? Dá uma checada no Google Earth e, etc, etc, etc...

E... ONDE ESTÁ ESCRITO QUE TEM QUE SER ASSIM?
Ah! isto está muito bem inscrito, em nosso DNA, pena!

Em Arquitetura ( e somente nela e por causa dela... ),
tem-se que O Espaço Nao-Edificado, É arquitetura.

E cabe a nós, os verdadeiros Profissionais do Canteiro,
a difícil mas necessária aventura, de instalar os guizos,
nos pescoços dessa quantidade infindável de gatos... 8)

:: ::

2 de set de 2008

NA TORCIDA!

Hoje é um dia muito, mas muito triste prá mim,
talvez, o dia mais triste de minha existencia, de
todos os dias que no antes, achei ter vivenciado...

A proximidade tangível de perder uma pessoa
da qual voce ama, mal a conhecendo, faz com
que a escala das coisas se transforme em
algo que escapa de suas tentativas, sempre
tão inúteis, de compreensão dos por ques...

Estou quase perdendo uma, de minhas duas
filhas, ambas pré-maturas, gêmeas fraternas,
nascendo com 33 semanas, quando o ideal
seriam 40... Numa incubadeira, acabou tendo
contato com uma infecçao hospitalar grave.

É estranho como que, no fundo, não se quer
achar suspeitas, mas sim, constatar de como
e por que isso pode acontecer, com alguém
nascendo perfeita, e potencialmente abreviar
sua vida de forma tão abrupta, quase violenta
e assim, precavermos outros pais e mães de
um sofrimento muito proximo do incalculável.

Se nós a perdermos para essa tão grave e
tao letal ocorrencia
, algumas das religiões
terrenas, vão querer, prontamente, dar
lhe
o apelido prestimoso e inocente de ´anjinho´...

Acontecendo isso ( nao quero, é Ó-B-V-I-O ),
num século de
tanta informação disponível, de
máquinas complexas e espetaculares e com

pessoas bem qualificadas prá cuidar de vidas.

Anjinho...? Hmmm... Desculpe-me, mas nao.


Cá prá mim, ela é tão somente uma menina,
com páginas ainda em branco para que, por
ela mesma, sejam, uma-a-uma, preenchidas....

E a mulher que ela pode vir jamais se tornar,
já me fez, estranhamente, um homem melhor.

LUTE AÍ, MINHA MENINA E LUTE COM FORÇA!

SEU PAI ESTÁ NA TORCIDA, JUNTO CONTIGO!

.
PS: Louise melhorou, está em casa e dá MUITAS RISADAS como palhaço do pai dela, um babão GIGA-APAIXONADO por ela, 24h/dd...

28 de fev de 2008

À QUEIMA-ROUPA



Mais do que os atos apreciava sobremaneira as palavras chamando tudo que se pegasse com as mãos de ´´artefato´´ fosse numa fazenda alquebrada stand de tiro imitando filmes guaritas sufocantes barracos provisórios numa favela solidificando o fracasso definitivo mansões em estilo bolos-de-noiva bancos fingindo lugares bacanas ou quando estava mal guardado na terceira gaveta da mesa de um escritório quando não em cima do guarda roupas tudo prá ele era ´´artefato´´ brincava desenhando palavras similares arte e fato arte e ofício arte oficial artificial artifício fogos de Reveillons fogo apagou cessar fogo afogados não deveriam ser àqueles queimados pelo fogo perguntava-se sorrindo nunca mais foi exatamente o mesmo após incursão solitária ao Deutsches Museum na sempre tão austéra Mûnchen especialmente numa ala reservada aos tais ´´artefatos´´ de sua vergonhosa paixão por demais reprimida enormes de dificil condução e locomoção imaginava pesada calibragem um tipo de municiamento individualizado cartuchos metálicos recarregados por trás imensos tripés servindo de apoio para os disparos únicos miras em óticas rudimentares porém precisas muita madeira quantos anos até suas portabilidades óbvias e tão disseminadas hoje vindo tudo em plástico belo museu no meu país isto é sucata merda de governo atrasado inútil e caro esse que temos nunca respeitando nada nem ninguém.

Pensava no maleiro do guarda roupas de sua belíssima casa o esquecido artefato de fabrico germânico discretamente lubrificado nas ranhuras por onde se instalava uma luneta por ora ainda inexistente honrosamente protegido e embrulhado em grossa camurça ou seria um retalho de nobuk o coldre protetor original em couro marrom escuro polido como sapatos de festa desgastara à muito num filme com nazistas viu de relance uma idêntica quanto será que vale uma dessas no mercado paralelo hoje brincava que o pobre animal cuja pele agora protegia a valiosa herança da armoría mecânica do século passado e talvez funcional bem que podia ter sido vítima de seus próprios disparos oras que estultice a minha se reprovava rindo mais do que os fatos especialmente apreciava sobremaneira as segundas feiras na contra mão dos seus cento e oitenta e cinco milhões de cordiais brasileiros menos dez milhões deles analfabetos talvez nadando contra a maré do planeta inteiro agradava a idéia seminal infalível
semanal sublimada na oportunidade eterna grátis genial do recomeçar empresa para poucos e destemidos valentes naquele dia espetacularmente cheio produtivo instigante mas sem revézes avançar vida é uma viagem de ida costumava dizer triunfante "vida é uma viagem de ida" seu pai tirando sarro acrescentou um "idade".

Trânsito desgraçado como sempre na cidade tão pequena com motoristas tão estúpidos correm tanto imperitos negligentes e imprudentes só prá voltarem o quanto antes prás suas vidas vazias e sem sentido algum sem a menor noção do que podem gerar de posse da máquina na durabilíssima tristeza iludidos por heróis imolados nas pistas famílias sem diálogo castigos baseados na supressão provisória de bens materiais como fazemos com os cães funerárias seriais à todo vapor ainda assim sorria checando placas de velocidade máxima e as obedecendo no apreciar do mutar lento e gelógico da paisagem urbana desincorporado da selvageria no achar de vaga apertada oportunidade de exibir habilidades sempre elogiadas nessas horas tão masculinas de fato manobrava com perícia invejável mesmo no escuro como se adivinhando suas próprias dimensões e as do entorno imediato não raro pára-choques espaçados entre carros por centímetro de vão algo remexeu na calçada à esquerda entre o pára-brisas traseiro com uma fina linha horizontal dourada do desembaçador rompida e o vidro do passageiro
de trás vulto humano de atitudes simiescas sem aviso permissão ou tolerância ouviu algo nem olhou mas sua mão direita fez um não não obrigado balançando em direção ao primata quando ouviu réplica que o paralisou seu carro póde até ser riscado doutor vociferou repita o insolente desconversa o estudando discretamente se esse carro aqui na minha frente for riscado eu te acho no inferno seu filhodaputa o vulto resmungou algo como ele fizera à pouco andando sem se virar pensou chega isso passou do controle merda de governo atrasado inútil e caro esse que temos nunca respeitando nada nem ninguém.

P
ensou no artefato alemão talvez oxidado de tão enfiado no maleiro não não muito velho destreinado poderia nem funcionar e fazer besteira ou ficar vulnerável loja grande adentro encontra os belos sapatos dos quais precisava à tempos desviou da rota lá dentro mesmo rumando à vitrine reservada nos fundos onde artefatos eram exibidos sob grosso vidro trancado à chave perguntava como podem preciosidades evoluídas do pós guerra como aquelas podendo ser comercializadas assim sem cerimônia alguma o vendedor confessa baixinho num sorriso olha por mim qualquer sujeito tinha que treinar por uns dois anos antes de sair como um idiota disparando à esmo mas com crediário de hoje em dia até mulheres saem daqui com uma e voces deixam isso acontecer rindo nervosamente e com medo de uma delas me ouvir sei lá fazer o que é o dinheiro que conta temos que vender o que um cliente quer e o que fazem com isso depois acaba alí no pacotes rindo ambos apontei a que eu queria tão linda já namorando em segrêdo desde à muito de uma revista temática exclusivamente abordando só daqueles artefatos alguns bem antigos mas a maioria modernos lançamentos da indústria de todo o mundo tecnológico, a evolução da ótica e de matérias primas alternativas, tão fundamentais, incluídas.

Perguntei da documentação por que só nessas horas fico temeroso de tão antiga meu rosto jovial e algo bravio na foto com data numerada no peito ele disse só lá no caixa pago com cheque sim meu deus as coisas evoluiram mesmo sentindo minha premeditação iminente e inegociável não quer aproveitar e levar munição extra nunca se sabe na hora sorrindo maliciosmente cúmplice tá legal o que é que voce tem aí no caixa pergunto mas é só sim senhor obrigada meu deus sai com uma
indiscreta sacola plástica marcando meus dedos sapatos novos incluídos há dez anos se muito seria um discreto pacote fechado no papel com barbante andando como se os outros soubessem o que eu levava sonhos obsequiosos de cidadania me afogavam no carro mesmo à luz do dia manuseei sem menores constrangimentos minha nova aquisição cidadã meu arsenal doméstico crescente prá ter intimidades com ela mais tarde sim quase uma prolongação da sua mão e claro do cérebro chequei cada mecanismo cada detalhe o design hoje é mais ortogonal sem carregá-la ensaiei um único disparo à seco minando na parede vazia tal como casa modernista sem medo algum apenas prá ver como se comportava meu deus eletrônica embarcada até nisto um laser automático embutido dormi estranhamente sorridente não perco mais um disparo sequer.

Noite dessas prestigiando feira de agricultores com seus sadíos produtos naturais premiados vagens abóboras varas de cana milho pipoca caquis secos nozes pecan dulcíssimas quem sabe levar algumas gosto de ir armado nesse lugares vaga à vista dirigi com precisão divisei de novo o agora cada vez mais familiar vulto simiesco mas é outro exemplar obeso ameaçador insolente similar ouço déiláo doutor melhor pagar agora se não já viu parei de escutar o mundo à volta
merda de governo inútil e caro esse que temos nunca respeitando nada nem ninguém minha cabeça entrou num túnel meu dedo coçou prevenido saquei meu artefato engatilhei sem aviso nem mirei muito bem confesso pensar que já cheguei a errar feio no começinho acertando só da cintura prá baixo pelo menos nunca decepei cabeças essas coisas voce só percebe a desgraçeira toda bem mais tarde na hora não dá é só turbilhão apertei o dedo com suavidade notei que minha mandíbula inferior pressionou a arcada de cima com discreta violência engraçado como também mastigamos o nada quando manuseamos uma inocente tesoura e papel talvez calibrando o ferramental ou seria uma força extra na ajuda do corte mordendo.

Nem pisquei meus olhos no flash potente de luz explodindo à minha frente iluminando a noite juro que ví um animal assustado me encarando no escuro o seco e discreto estalar do mecanismo de disparo invisível nessa altura foi quase como um clique suave natural da arma agora letal o mero aperto de um botão dos milhares de botões que apertamos todos os dias imagine somando os do teclado do computador senhas às centenas banco instrumentos musicais consoles de jogos eletrônicos meu deus tantos anos e ainda domino essa prática como se meu último disparo tivesse sido dado sei lá anteontem correria imediata de outros símios idênticos atraídos alí não tive a menor das dúvidas ato contínuo mirei instintivamente primeiro nos órgãos vitais como o instrutor me demonstrara pacientemente as vezes pegando o artefato junto com minha mão tremida depois ajustei a mira para o meio da cabeça de cada um deles e disparei um a um apontava disparava movia a mão alguns graus para o meio da cabeça do outro desgraçado mirava disparava até atingir todos os quatro faltantes coisa de cinco segundos o primeiro já era fiz exatamente como os filmes nos ensinam em menos de dois minutos o lugar ficou limpo olhei em volta por tudo atento sem testemunha ocular alguma ficou engraçadamente decepcionado.

Curti demais a feira comprei legumes premiados lindíssimos rí com amigos velhos após meu embate fatal com
novos inimigos minha língua queimando querendo confessar resisto retorno ao carro calçadas agora absolutamente desertas um carro da polícia passa penso chamá-los deixa quieto já foi em casa manuseei com carinho redobrado o artefato quase idolatrando-o pelo seu simples existir no me defender tão bem descarreguei-o por segurança nem o escondi será que aquela verdadeira relíquia a minha máquina sem uso do maleiro vale alguma coisa espantado não disse "artefato" semana que vem terei mais um evento mais um confronto usarei minha mais nova arma letal em nome da minha cada vez mais vilipendiada cidadania um disparo um ponto e pronto depois de tudo já feito eu te conto nos diz malicioso sorridente manuseando fotos antigas agora resguardadas dentro de uma nova caixa de sapatos, enquanto as novas imagens são transferidas de uma máquina para a outra artefato dialogando com artefato para o seu computador como mágica caralho que cara de bunda esse flanelinha filho de uma puta tem merda de governo atrasado inútil e caro esse que temos nunca respeitando nada nem ninguém !


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5 de jan de 2008

À PROCURA DO RAPÁICHE

Não, não se trata de Homilia Gay. Nem Delegado, à caça de
algum Fora-da-Lei. Ou da Polícia Militar, em algum mandato
de Busca & Prisão. Ou Moçoilas desesperadas por Çéquisso.

Também não se trata de um novo Buddah recém encarnado.

Trata-se da instituição nacional dessa tão grandiosa e quase
in/entendivel Nação Brasileira que nos define, conforma e é,
mesmo alguns de nós, vivendo estranhíssimo deslocamento.

É a figura do rapaz ou, na pronúncia da escumalha com um
indefectível sotaque luso-carioquês, o "RAPÁICHE". Alguém
DEVE ter falado disto antes, não tenho a menor das dúvidas
quanto á isto, mas eu percebo que a população dessas Néo-
personas tem-se multiplicado país afora quais coelhos, caso
saibas, ninhadas de coelhos brotam 10/15/20 nano-coelhos,
em 365dd, dá prá preencher a China Continental de coelhos,
como percebeu, nascituros Made In China, como quase tudo,
caso não saibas, equiparam os investidores internacionais de
´corajosos como coelhos´, o que dá uma idéia precisamente
exata, de como inter/agem, medrosos como são, os coelhos.

Não fosse La Naturaleza serví-los como farto alimento e dos
bons, e é por isto que exibe o BRUTAL par de orelhonas, um
faro ANIMAL ( perdão, bi-trocadalho ) e prá se safar de seus
muitos predadores, salta/corre rápido como um... COELHO!

E que diabos insidiosos vem a ser o tal RAPÁICHE? É bem
simplim, de tudo: Por princípio, Le Citoyen nem nome tem.

Então, vai ser exatamente por isso que damos o nome dele
Rapáiche, não duvidar que algum energúmeno, batize filho
em muito breve por Rapáiche Silva, visto que as contagens
de Juniôres, figurando em primeiro nome, figura pelo milhar.

O tróço FUNCIONA exatamente assim, SEM VARIAÇÕES:

Estou construindo uma casa. A Arquitetura é fascinante, por
causa de um negócio que me toquei já algum tempo: Nesse
ofício, seus gestôres tem que achar a coisa MAIS NATURAL
desse Universo juntar 7 Milhões de peçinhas soltas e vindas
de pelo menos 1.278 Fornecedores, fazendo com que todas
essas 7 Milhões de Peçitas Soltas entrem numa mesmíssima
linha de produção (o chamado ´canteiro´, original medieval
de cantaría, do ofício de cortar cantos nas pedras maciças
),
até mesmo a MIRRS, a Estação Orbital lá em cima mal tem
os 30 fornecedores, vai vendo/entendendo o que é construir.

Pois bem, cadê o RAPAZ? ´Dotô ( por que RAIOS chamam
de doutor, se eu não defendi Tese de Doutorado alguma ?),
Rapáiche ficou de passar aqui de manhã, mas ele não veio.

ARRÁÁH! Ei-lo! Alguém ficou de fazer algo e não o fez, mas,
alto lá, é só isso? Esse é o tal rapaz e pronto, finito, TheEnd
e não se habla mas nisso, e voce aí com essa história pueril ?

Seria fim, sim. Não fosse o fato de que o supra citado solver
T-O-D-O e QUALQUER problema relacionado a falta dalguma
coisa, note que quando ouvir um R-A-P-Á-I-C-H-E, instale
bem nas profundezas do seu hipotálamo uma espécie de bio-
alarme, dos mais escabrosos possíveis, quando for acioná-lo.

Pois quando o estribo vibrar na clóquea, a bigorna transmitir
pulsos dentro da sua cabeçinha, automaticamente voce vai
esboçar um tipo de sorriso marôto, quase uma auto-defesa
preservacionista, macaco ancestral balbuciando os mais que
intraduzíveis muchôchos, sim, compadre: TE ENGANARAM!

Aliás, fiquei de contar segrêdo valiosíssimo da Arquitetura,
que
só Iniciados, Picagrossas e Demiurgos da prancheta bem
o sabem,
e, uma vez decifrado, permitirá nortear aos comuns
mortais e todos
aqueles que não são do ofício a não comprar
gato por lebre, quando
o tema for a CONSTRUÇÃO DE CASAS.

Mas, sabe o que é? O Rapáiche do Bureaux, ainda não veio.
.
.
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BRASIL, SOCIEDADE CONHECIDA



Inquilino novo no Predinho Comercial. Naturalmente,
ninguém é obrigado a adivinhar aquelas micropequeninas
coisas da Cultura Pré-Existente em determinados lugares.

Mas nós, os brasileiros, estamos, em quase a totalidade,
pouco se fodendo para isto, estejamos onde estivermos.

Uma vez ouvi de uma senhora na casa de seus bons e
excelentemente bem-vividos 60 anos ( não, ela não é
r
ica, tolinho... ) um relato assombroso, dela em visitas
aos principais Museus Europeus, envergonhada... com
os... brasileiros! SIM! Nossas afamadas ´alegrias de
viver´ e bastante decantada cordialidade, na verdade,
também podem -devem- ser traduzidas por profunda,
sombria, ABISSAL e sintomática falta de consideração
com esse tal de outro, que insiste em nos ´embaçar´.

De embaço em embaço, alertei ao nosso novo vizinho,
senhor perspicaz e interessado, da importância em não
agredir as linhas neoclássicas da arquitetura da fachada
do charmoso edifício de três andares à Rua Paranaguá,
onde convivem, simbioticamente digamos, consultórios
de psicologia, ateliers de arquitetura e construção, uma
representação comercial de impressoras/plotters, clínica
estética, esse tal estúdio de design, uma imobiliária, uma
algodoeira e uma agência de intercâmbio de estudantes.

Aliás, a representaçao Comercial de Impressoras/Plotters...


...retirou um identificador de aço escovado ( que eu mesmo
o desenhei e fui atrás da chapa de aço e de uma empresa
que tivesse uma calandra prá vincá-lo e cortá-lo, investindo
MEU tempo e dinheiro nisso... ) para que "o rapaz" pudesse
recortar o vinil e identificar a sua sala... O objeto nunca mais
retornou aos seus 4 furos na parede de alvenaria arenosa...

Vejam, o tal "rapaz" precisou de retirar o objeto de aço, que
estava aparafusado na parede, no hall comum, deixando os
4 furos aparentes... prá poder grudar meia dúzia de letrinhas
plásticas em durex colorido... ao invés de medir o objeto e...

ENFIM.

Nosso imbroglio paroquial consistia-se de algo fácil de
solver: O master franqueador da grife recém-instalada
queria enviar suas placas de identificação de fachada e,
tendo encenado mesuras recepcionistas primevas, recebi
um lay-out do que viria a ser, não sem solicitar alteração
simples e ordinária, no sentido de ( PQP! ), ´não agredir
as linhas neoclássicas... da arquitetura da fachada... deste
charmoso edifício...´´, etc., no que fui, sim, prontamente
atendido, lá se vão uns 365 dias, se tanto assim, que seja.

Não recebo um puto prá cuidar desta merda. O prédio
não é meu, a sala não é minha ( alugo duas delas... ) a
Paranaguá é onde eu apenas e tão somente trabalho e,
o que acontece, quando eu chego para mais um bom dia?

Eá? (como exclamava, prá minha alegria, dona Marietinha
de Lima Brizolla, minha avó enviuvada de meu Vô Foster
de ascendentes norte-americanos do Texas e da Georgia
pós Guerra da Secessão, tio-avô da Sra. Rita Lee-Jones )

No piscar das luzinhas de 2MIL & VII, na calada do dia,
nova fachada e nova logomarca se apresentam às "linhas
neoclássicas do charmoso edifício", SIM, ocultando essas
mesmas linhas, afinal, oras, prá que serve a arquitetura,
se não nos dispusermos à fodermos com ela como e com
os meios que temos, numa placa vistosa e iluminadíssima,
se possível (nunca se sabe!) enxergável por vôos noturnos?

Existem umas coisas na civilização e que nos impulsiona no
adiante ( exceto pelo fato de os Hiper-Ricos não abrirem
mão dos raros privilégios conquistados à custa de grande
morticínio e a quase irreversível devastação dos Recursos
Naturais, cegos na fé que a Tecnologia e suas grana$, prá
lá de pornográficas e iníquas, solverá tudo o que existir ),
que se trata de justamente, NÃO GANHARMOS UM PUTO
SEQUER, entretanto, melhorarmos o quê, no quê pudermos.



Eu até... iria inquirí-lo sobre o por quê disto, posto que ele
sabia do acôrdo de cavalheiros ( no passado, quando cá
me
instalei, a fachada mais parecia um puteirão de bêbadas
acabadássas, cada negócio cuidando só do seu negócio e de
sua placa, Batalha de Salames entre Eunucos Coprofágicos)
quando me caiu a ficha de como o Brasil Sociedade Anônima
de fato, funciona, 24h/Dia, 7dd/Semana, 30/Mes, 365dd/Ano.

Ele iria iniciar sua amistosísima e cordial DESCULPA assim, ó:

-NÃOSABOQUÉ QUIFÔI? ÓLHEUATÉFALEI PRÁÊLISQUI...

É até bem possível que sejamos mesmo, de fato, os reais
predestinados ao futuro, como Naçao e como Raça em todo
o planeta, dada nossas condiçoes geográficas e naturais.

Mas, isso se dará, vejam bem e entendam isto: No futuro.


Num longínquo, inalcançável, evangélico, promissor, futuro.

Entendeu bem... ou quer que eu desenhe ?
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