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7 de dez. de 2009

TREM BALA PERDIDA


O ARTIGO ABAIXO FOI ESCRITO NO COMEÇO DE 2009 E, NESSE FINALZINHO DE ANO, SAIU A NOTICIA DA QUAL ESSA BIZARRIA DE PAÍS DE BACANA (o que não é o caso do atual Brazil), IRIA CUSTAR UMAS 5X MAIS, DO QUE OS VALORES ANUNCIADOS INCIALMENTE. NÃO DIGAM! MAS QUE NOVIDADE...

"Bernardo José Figueiredo Gonçalves de Oliveira, economista, é o nome do sujeito. Para a desgraça de nosso filhos e netos e mesmo brasileirinhos que nem sequer nasceram ou foram encomendados, o cidadão  foi alçado ao cargo de Diretor Geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT),  ligado à atual ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, como sub-chefe de Articulação e Monitoramento da Casa Civil. 

E o que esse um, de nossos muitos "líderes nacionais" declara aos jornais desse imenso Brasil, em plena posse? 

FIQUE COM ESSA:

"Provavelmente, a União vai financiar o Trem-Bala RJ-SP, pois se vermos pelo mundo, houveram fortes participações governamentais e não teremos a primazia de sermos diferentes" ( o grifo é todo meu... ).

  Ocorre, Sr. Economista, que "se vermos pelo mundo", esse outro mundo que o senhor enxerga possui, sem nenhuma exceção, uma formidável rede ferroviaria operacional, incluindo estruturas de transferencias (modais) de cargas entre minas, silos, rios, galpões, navios, portos, oceanos e caminhões e até aviões, bem cuidadas e bem administradas por ferroviários competentes, treinados e dedicados, desde que o esperto inglês Richard Trevithick inventou a Locomotiva à Vapor em 1804, contando, inclusive, com eficiente transporte  de passageiros, escolha qualquer país digno que o senhor desejar conhecer
por trem, seja no formato de uma pessoa como carga viva ou num containner refrigerado.

  Caro Sr. Economista, nós não somente somos sim, diferentes do resto do mundo, como infelizmente teremos que continuar sendo, pois são administradores como o senhor que nos afundam, nos afundaram e vão nos afundar no atraso e nos gastos estapafúrdios e deslocados, como bons caipiras comprando botas novas, mas não se livrando das verminoses, co-habitando nas barrigonas inchadas, a custa de muita desinformação e achismos pueris.

   Quero, francamente, estar profundamente errado, mas... 


O que nos acostumamos a identificar como BRASIL, não necessita dessas cintilantes jóias ferroviárias, trovejando em calhas exclusivas à mais de 400 km/h e que produzem impactantes fotografias  ao pôr-so-sol, até por que, trens-bala no geral, não transportam cargas em massa e sim, passageiros e para isto, aquela crucial invenção do senhor Alberto Santos-Dumont dá conta.

Uma vez que seríam atendidos -se muito- uns 3% da população brasileira, o eixo clássico da prosperidade habitual e concentrada, 30 milhões de alucinados que decidiram morar
muito mal, deslocar-se em engarrafamentos diários e se iludirem por ´modernos´ dada a escala de suas megalópoles, expandido-se como um devastador carcinoma, fagocitando recursos naturais e abolutamente incontrolável na tunga dos bolsos dos outros 160 milhões de brasileiros pagadores de impostos, muitos deles, mal ajambrados por aí.

Patinamos bons, caríssimos e irrecuperáveis 30 anos sucateando um sistema inteiro de de trilhos, estações e ferrovías as quais, "se vermos pelo mundo" como o economista parece gostar de comparar, constituem um dos pilares sólidos que alavancam nações sérias, povos comprometidos com suas histórias culturais e países visionários rumo ao verdadeiro
e perene desenvolvimento estratégico, em se tratando dos transportes

   Se não quer me respeitar como cidadão indignado, ao menos, tenha respeito pelos nossos descendentes, conduzindo esses R$30 bilhões ( anunciaram a fatura como R$9 bilhões
*, mas alguém aí, acredita sinceramente nisto? ) do custo dessa bizarría de deslumbrados, para a duplicação das vías ferroviárias já existentes, que neste Brasil são maioría em mão única, sem contar a existência de quatro bitolas diferentes, onde em determinados e não poucos trechos, um trem mal consegue serpentear sem transbordo, de um estado ao outro.

   Ungido da iniciativa privada e do ramo, como ex-diretor da empresa Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S/A, quero crer que o indigitado economista tem em mente o melhor para esta atrasada nação brasileira e não mais uma formidável corrida de empreiteira
 e multinacionais fornecedoras de material ferroviário, sinalização, comunicação, sondagens, carrís, satélites, pontes, silos, locomotrizes,  carros e vagões...


 Junto com novas estações de embarque/desembarque, tinindo de novas, políticos sorridentes nas fotos de inauguração, tudo isto, como de hábito, obtidos através de nossos pornográficos impostos.

   Quando fizermos a lição de casa, a muito atrasada e ao menos tentarmos aumentar a velocidade média em cima de nossos trilhos dos atuais 20km/h, para miseráveis 60km/h em nossa herdada e empobrecida malha ferroviaria atual, nos conectando ao Pacífico
em pelo menos quatro vetôres, daí sim, será hora e a vez de atendermos aos ricos de sempre e à platéia dos deslumbrados de ocasião, aplaudindo as novidades sem nem ter um nexo causal mínimo no obtê-las, financiadas por moradores e viventes como eu e voce, desse imenso e invejavelmente riquíssimo, porém contraditório e atrasado país tropical.

   Ou será que ainda gestamos líderes que sonham ser possível modernizar o Brasil, de caneta nas mãos, sem planejamentos verdadeiramente consistentes?"                                                                    .

CHRISTIAN STEAGALL-CONDÉ
, arquiteto                  .
Vice-Presidente do IAB, Londrina (PR)



*PS: Artigo concebido em MAIO/2009, com a minha projeção do custo em valores reais de um trem bala "padrão"


20 de dez. de 2008

EXÓTICOS


BUM! Ouço o estrondo seco e, depois, silêncio. Corri à janela
de meu estúdio,
escanerizando a ainda outonal paisagem de
Dezembro de 2005, pois dos sons
"ruins" e habituais, esse
configurava-se em uma espécie rara de "
familiar novidade".

Os mais comuns, são estrondos secos seguidos de muito
barulho (
pois nossa CMTU insiste em tratar as artérias
locais com displiscencia digna de bairros do
tipo deixa-prá
), as tantas capotagens após colidirem com 2 ou 3 carros.

Parados.


Nada.

Olho para o poste e noto o Transformador lá em cimão,
exalando fumaças,
como se tivesse acabado de degustar
um bom charuto baiano, os halos de
fumo branco se dis-
persando lentamente na frente do azul do céu ao fundo.


Escanerizo tudo e noto um Bem-Te-Ví inerte no chão da
calçada, o piador
que alegrava várias das manhãs da Rua
Paranaguá, jaz deitado no cimento numa
posição estranha,
meio de lado e... como se estivesse querendo sentar-se,

postura indigna demais, imprópria demais, até mesmo eu
diría "humanizada demais", para significar
algo de bom.

Instintivamente, como se pressentisse estar sendo muito
observado, resolvo
erguer o queixo e, de fato, lá do alto do
mesmo poste admiro a sua discreta
companheira fitando o
amigo lá embaixo, e, balançando a cabeça, ora para
a direita,
ora para a esquerda, talvez tentando entender, talvez até
mesmo
perguntando-se algo estranho como "Ué, mas então
ele vai resolver ficar deitado, ali embaixo... ATÉ QUANDO?
",

Irracionais, os animais, eles ensinaram-me, pelo observado,
demasiado cedinho, nessas escolas.... Demasiado cedinho.


Recolhi o animal, estranhamente quente, mole como um
pano em minha
mão, aproximei-o de meu rosto para admirar
de perto o seu "rosto", algo
de sublime num design elegante,
preciso, belo, as formas seguindo as
suas funções, me senti
deslocadamente mal, depositando-o em um... Latão de Lixo.


Passados alguns dias, de passagem pelo umbral, ouço um
farfalhar suave
no pequeno gramadinho do térreo, algo se
mexendo com dificuldade típica,
onde a escuridão promovia
o renascer dos nossos obscuros memoriais fantasmáticos.


Investigando, agora me surpreendo, entre sorridente e
algo apreensivo, meu
encontro com o filhote, um protótipo
em fase de pré-acabamento do pai
já morto, debatendo-se
com sua asa quebrada. Com custo e apavorado
de piorar a
sua já complicada situação, consigo pegá-lo com extrema e

mesurada delicadeza e, já tarde da noite, melhor instalá-lo
numa caixa
de sapatos e amanhã veremos como proceder,
não sem antes ter notado
uma fratura exposta, onde em nós
humanóides sería o antebraço, ossos
quais palito-de-dentes,
avícola do tamanho de um celular. Um celular dos PEQUENOS.


Manhã seguinte, o micro Bem-Te-Ví ainda vivo, alerta, olhos
esbugalhados
e um lutador, levei-o ao (onde mais?) Hospital
Veterinário da UEL, onde
lá desculpam-se num automático:

"
...não atendemos animais exóticos".

Fiquei mudo.


Desconfortado, entro em meu confortável carrão e, é claro,
caiu a ficha no
rolar suave em meu combate diário ao trânsito
estúpido, encenado por
idiotas nos condenando, um engano,
o atendente quis dizer-me, SIM, EU QUERO CRER, "
silvestre".

O ano? Era algum lá da Década de ´60. O investimento, um
pouco além dos 2
milhões de dólares. O projeto? Contratar
designers para redesenhar os topos
( terminações da corôa )
de todos os postes com mais de 50 anos de idade
que então
rasgavam ( via "progresso" ) as pradarias norte-americanas,
estas, com
suas imodestas 450 Milhões de Primaveras, todas
aniversariadas sem a ínfima, remota presença dos Humanos.


O motivo: Evitar as contínuas eletrocussões daquela que é
sua portentosa ave-símbolo
nacional, as Águias-de-Cabeça-
Branca, quase pré-extintas, pois seu porte
era bastante
similar ao do gabarito da distância entre fios energizados,

os quais as matavam quando as aves abriam suas grandi-
osas asas, assim
gerando o curto-circuito fatal e sua sen-
tença definitiva, sem ser a culpada.


Enquanto isso, um portentoso centro educacional e modelo
nacional, pelo
que pude inferir, prepara-se e aos seus para
uma dicotomia do futuro das
nossas mais recentes urbani-
dades, onde nossos animais... "de estimação"
* resumir-se-
ão à
Au-Aus e Miau-Miaus. Bem te vi, humano: Bem te vi !

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*PS: Quando pequeno, imaginava-me ser possível, tão logo adulto me tornasse, comprar e importar um Dragão-de-Komodo adolescente e passear com ele pela vizinhança do bairro, claro que com ele completamente seguro e preso, atrelado à mim por uma coleira peitoral... ;)

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