16 de dez de 2010

CAVALETES NA PRAÇA!

Chamamento para interessados em artes e em encontros culturais ao ar livre, nesse sabado agora, na Praça Tomi Nakagawa, 18/DEZ, das 14h às 19h, promoção minha com patrocínio da UNOPAR e apoio da UEL (chovendo, o evento vai para a plataforma do Museu Histórico).

É só levar materiais de desenho, que o papel kraft e os cavaletes, nós levamos!

20 de nov de 2010

Cometí uma letra!

19 de ago de 2010

Katshushika HOKUSAI, é o cara!
















Considerando a época dessas ilustras, convenhamos! 
Esta acima (A Grande Onda de Kanagawa, da série As 36 Vistas do Fujii Yama, Fugaku Sanjū-Rokkei, 1823), em minha opinião, trata-se da mais espetacular obra-de-arte de todos os tempos.
Não me refiro à "obra-de-arte japonesa", mas obra-de-arte mundial, mesmo.

Afetados por um eurocentrismo infantil, frequentemente ficamos cegos diante do sublime.
Hokusai, com esse provável Tsunami no alto-mar do Oceano Pacífico (Tsu=porto, Nami+onda), tendo o distante Fujii Yama ao fundo, entrecortado sob um céu enegrecido, diz ao que veio.
Mas o título adicional real, OkiNami, também nos informa tratar-se de uma "onda grande", talvez e não necessariamente, um tsunami, do qual, com muita porpriedade, só é percebido à praia... Daí o termo "tsu" (porto).

Notar a sutileza das espumas, fantasma redivivo, a borrasca inclemente na superfície dramática do mar bravío, a onda gigante prestes à engolir dois barcos pesqueiros, garras brancas-azuis da morte, recurvadas e reproduzidos às centenas, como afiados fractais em direção às costas dos pescadores aterrorizados e firmemente atracados às frágeis embarcações costeiras.

Aliás, não é a toa que centenas de artistas gráficos e visuais em todo o mundo, se apropriam dessa cena sombría,  em suas diversas re-criações, mas com um sentido exatamente oposto, o da exuberância... Franceses tiveram contato com, olha que legal, embalagens de produtos japoneses, bem como em estadías em férias, no "oriente distante".

Como é que alguém pode reproduzir (Sōshū Chōshi, Hokusai, 1832-1834) um oceano bravío, tão preciso e "simples" assim?
À julgar pela tranquilidade do piloto á proa, de pé, trata-se de uma manobra de deslizamento sobre a onda, uma "surfada" providencial, afastando a embarcação dos ameaçadores rochedos ao fundo.
Outra canoa oceãnica idêntica, singrando em sentido contrário e bem próxima dali, parece sugerir que o local é bastante propício à pesca litorãnea do dia.

Essa cachoeira, acima quase pode-se ouvir á água escorrendo... A profunda intensidade dos azuis.... Ou esta, abaixo, com o singelo nome de "Cachoeira Onde Lin Tzu Lavou Seu Cavalo":

Delicadeza, ritmo, proporção, coerência...

O sexo, registrado como ele é: Intimidade, desejo, cumplicidade.
Qual casal que possua intimidades, não se deliciou um ao outro?
Qual mulher adulta e de bem com seu corpo, não se submeteu, passivamente?
Degradées simplesmente INIMAGINÁVEIS. Tanto no céu, quanto na terra...

A ponte, das várias que lançamos todos os dias, sobre os perigos que nos rondam...

Katshushika Hokusai, também é considerado o criador do Mangá, (MAN=humor, GA=grafismo, aproximadamente) literalmente, "caricatura" ou "desenho engraçado".
De 1814 à 1849, o artista concebeu uma coleção de 15 volumes, cujas características de traço, enfatizando o aspecto de seus ilustrados em cenas do contidiano, recebeu o nome de "Hokusai mangá" ou "desenhos engraçados de Hokusai".

Sem dúvida alguma, foi o cronista de sua época, trazendo-nos não somente aspectos amrcantes da vida urbana e rural japonesa, bem como uma estupenda técnica de xilogravura, onde as cores parecem flutuar.

"Uma Mulher Bonita".

Num mundo com tantos e tão caros softwares de renderização, Hokusai parece-se exatamente como um Deus Máximo da criação: Sua arte, exuberante e sintética, parece querer nos dizer que, desde sempre, a idéia, estará muito acima da técnica, onde esta, além de requerer conhecimento, pede simplicidade.

Se duvida disto, contemple as diversificadas produções do mestre japonês, realizadas à quase 200 anos e ainda moderna e impactantes, em plena Era Cibernética.

Finalizando, um autorretrato desse artista absolutamente origenial, contando com seus mais de 80 prolíficas primaveras japonesas...

Ele morreria, bem velhinho, dali a alguns anos, tendo produzido milhares de obras, hoje expostas em um elegante museu, que leva seu nome em Obara, Japão.

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Links:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Trinta_e_seis_vistas_do_monte_Fuji
http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Grande_Onda_de_Kanagawa
http://www.culturajaponesa.com.br/htm/manga.html - Cristiane A. Sato

Bibliografia

  • Bayou, Hélène [2008], Hokusai, 1760-1849 : l'affolé de son art : d'Edmond de Goncourt à Norbert Lagane
  • Bibliothèque nationale de France [2008], Estampes japonaises : images d'un monde éphémère
  • Delay, Nelly [2004], L'estampe japonaise
  • Fleming, John [2006], Historia mundial del arte
  • Forrer, Matthi [1996], Hokusai
  • Guth, Christine [2009], Arte en el Japón Edo
  • Hartman Ford, Elise [2005], Frommer's Washington
  • Hillier, Jack [1970], Catalogue of the Japanese paintings and prints in the collection of Mr. & Mrs Richard P. Gale, Tomo II
  • Kobayashi, Tadashi [1997], Ukiyo-e : an introduction to Japanese woodblock prints
  • Lane, Richard [1962], L'Estampe japonaise
  • Nagata, Seiji [1999], Hokusai : Genius of the Japanese Ukiyo-e
  • Sueur-hermel, Valérie [2009], Henri Rivière : entre impressionnisme japonisme
  • Weston, Mark [2002], Giants of Japan : The Lives of Japan's Most Influential Men and Women
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18 de jul de 2010

Elektroschutz in 132 Bildern, By Herr Doktor Stefan Jellinek


Eis que a gloriosa piauí, reservou algumas de suas esquinas para reproduzir os magníficos templates (hoje, os chamaríamos de "infográficos") compilados pelo austríaco Herr Doktor Stefan Jellinek, num assombroso ano de 1931, sobre os riscos LETAIS que a novidade do século impunha aos seus contemporãneos.


A obra médico-tecno-didática, intitula-se "Eletrocução em 132 Imagens" (Elektroschutz in 132 Bildern) e tem um quê de Bauhaus Istáile, somado com Graffitti-Feito-Por-Algum-Designer-Moderno, mas seus autores são os também austríacos Josef Danilowatz, Franz Wacik, and Eduard Stella, os designers de então (e antanho...).


Aqui tem 30 destes templates, reproduzidos no Flickr, pelo irado Bre Pettits.O que me deixou feliz, é que no ano passado, eu estava garimpando esses infográficos fantásticos e, êi-los, re-impressos em discreto destaque, para deleite dos brasileiros e "piauenses".


( Aliás, já estou meio que craneando uma matriz com essas poderosíssimas citações gráficas, com algumas, diguemos assim, actualizaçõens...)


O interessante da extensa e meticulosíssima série gráfica, era a conscientização de uma etapa crucial da rápida (e recente) evolução humana, saindo de uma vida majoritariamente rural e entrando em definitivo para a existencia urbana, subentenda-se, MÁQUINAS e, especialmente, as ELÉTRICAS.


MUITO IMPORTANTE: Não esqueçamos jamais do contexto da esfuziante e abusada Década de 3O:

O estilo vigente, era ninguém menos que o Art Déco, que personificou como nunca a já acontecida Revolução Industrial, quase que enterrando o romantismo bucólico do período imediatamente anterior (Art Noveau, que muitos ainda se confundem com o Déco), uma época de vida urbana quase desenfreada, riquíssima e extremamente fértil, fosse na Arquitetura, no Desenho Industrial ou nas Artes Gráficas.


Toda uma Era (estilo e Zeit-Geist, inclusos), será bárbaramente sepultada com a eclosão da Guerra, onde o seu próximo e derradeiro conflito, a IIa. Guerra Mundial, já anda sendo considerada como um latente efeito colateral -e apavorantemente grandioso- da Primeira.


Outra curiosidade "urgente" dessa série de "advertências do invisível", é que as ilustrações, potentes e sintéticas como um mapa turístico, mostram, de bebês à garotas, de senhores aposentados em casa à motorneiros conduzindo bondes, de vacas rurais à ratos urbanizados, de telefonistas à mulheres núas em banheiras esmaltadas , incluindo um moleque mijando de cima de uma ponte, sobre os fíos de uma catenária ferroviária transportando 3.000 volts.



Todos os personagens, sem excessão, registrados alguns segundos, antes do advento de suas próprias mortes.

Sim, isso mesmo.


A série, não era uma invenção ou exagêro prá meter medo em incautos, mas sim, reprodução fiel da vida (no caso, da morte), baseada em estudos e compilações de ocorrências fatais reais, ainda "comuns", devido à novidade tecnológica, de resto, uma que havia chegado prá ficar prá sempre entre nós, os humanos e que o médico austríaco trabalhou com afinco em cima do tema e da "novidade", evitando mortes provavelmente seriais.

Brrrrr!!!!
Tirando a morbidez (pois ao contrário que muitos pensam, pessoas eletrocutadas podem ser perfeitamente ressucitadas), para nós, do hoje-me-dia, essa magnífica coleção de imagens paradidáticas, com a senha da fila da autópsia nas mãos, funciona agora como um poderosíssimo icone gráfico.

Um tipo de design das Artes Visuais, do qual não se vê mais e que anda fazendo muita, muuuita falta, nas já ultra-entulhadas urbes contemporâneas.

De minha parte, como dito acima, vou providenciar, sim, uns graffittis.

Ah, vou!

14 de mai de 2010

SPAM: 30 ANOS!

O que é esse tal de SPAM?

Hoje, todo mundo sabe: São aquelas correspondencias DESGRAÇADAS que entulham a caixa postal de qualquer ser vivente, odiado por 20 em cada 10 donos de contas no Thunderbird.

(Ía até citar aquele outro programa de e-mail, mas é puro SPAM...)

Curiosamente, SPAM é marca fantasia da Hormel Foods.

É uma indústria inglesa de enlatados de carne, cujo similar nacional seria o "saudoso" KITUT DE BOI ou PRESUNTADA da Swift, de tempos idos.

Uma, digamos, "carne" em lata cujo modo de abrir a tampa, com uma chave engastada no lacre, era responsável por verdadeiras carnificinas domésticas, seguidas de hemorragias pornográficas, dignas de filmes "B".
O termo surgiu da cabeça do hilário ("hilário" aqui, sub-entenda-se "humor inglês", do qual eu e mais meia dúzia curtem... e olhem lá!) grupo Monthy Python Flying Circus, em uma esquete onde Vikings clamam pelo tal SPAM, um pouco como presidiários batendo canecas à mesa e pedindo comida em uníssono.
A esquete veio ao mundo em um longínquo 1970 e o fabricante do junk food inglês, mesmo apreensivo de ver sua marca associada à algo tão odioso, acabou aproveitando a estratégia de citações universais gratuitas, incorporando ao seu marketing.
Inclusive, o SPAM foi relançado, agora, com a adição do termo "CLASSIC" ao nome, indicando... Ahn.... Indicando sei lá eu o que...
Em casa, comi alguns Kituts de Boi e de Porco, da Swift-Armor e, sim, cortei meus dedos algumas vezes. Até o dia que minha mãe, meio que citando o Chanceler Hindenburg, me perguntou se eu saberia dizer do que aquela gororoba deliciosa era feita.

Respondi que nao, surpreso, pois também emendei um:

-"UÉ, ISSO NÃO É PRESUNTADA?"
No que Dona Yara Sylvia Steagall, especulou: 

"-Olha, do jeito que essas indústrias alimentícias são, isso aí é feito com restos de Fetos, de Chifres, de Beiços, de Placentas, de Olhos, de Rabos, de Orelhas e de Couros de Bois, tudo muito aromatizado, bastante colorido e muitíssimo bem enlatado...".

Vomitar, não, não dava mais, já era muito tarde demais.

Mas parar?

Foi ali mesmo.

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- SPAM, SPAM, SPAM, SPAM, SPAM, SPAM!!!

27 de abr de 2010

THE SKY CRAWLERS: Fasten Seat Belts!

Tudo bem, vai?

Na superfície, trata-se de mais uma história de guerra, bem daquelas do tipo "VOULÁS ...X... VAITEMBORAS".

Mas, quando se trata de um animê, as coisas, literalmente, mudam de figura.

 A argumentação, nessa obra-prima, está bem próxima do impecável.

Num Japão estanhamente ambíguo, bizarramente ultra-master norte-americanizado (como o Japão o é, no hoje, mas nesse filme aqui, ele se encontra em uma escala potencializada por umas 50X...) meninotes e moçinhas -ainda impúberes- são pilotos de elegantes e mortíferos caças.

 As aeronaves monopostos atendem pelo codinome Samka Mk. B, propelidos graças à um poderoso motor radial, queimando pura gasolina, conectado à enormes e clássicas hélices tripás duplas, contra-rotativas, evidentemente baseado no Shinden, onde cabe um Wikipedia providencial:

The Kyūshū J7W1 Shinden (震電, "Magnificent Lightning") fighter was a World War II Japanese propeller-driven aircraft prototype that was built in a canard design. The wings were attached to the tail section and stabilizers were on the front. The propeller was also in the rear, in a pusher configuration. It was expected to be a highly maneuverable interceptor, but only two were finished before the end of war. Plans were also drawn up for a jet-powered version (J7W2 Shinden-Kai),[2] but this never left the drawing board. The J designation was used by land based fighters of the Imperial Japanese Navy and the W is for Watanabe, the company awarded the contract (though the factory changed its name in 1943 to Kyūshū).

Achou esta pequena descrição anterior meio que, digamos "nerd"?

Então, afivele-se aí nos teus cintos de seguranca, bobinho...
 A história nos conta das rotinas de um restrito grupo de jovens adolescentes, em úmero suficiente para a formação de uma feroz e implacável patrulha aérea de quatro caças a helice.
São áses recém-contratados e pinçados sistematicamente pela "Companhia", ainda contando apenas com seus treinamentos prévios de vôo dos quais, enfim, chegam às instalações da "Base" relativamente distante do vilarejo mais próximo, este, eventualmente, servindo como um lugar para as folgas ocasionais, já que os pilotos são todos "estrangeiros" em sua propria terra.
A Base, trata-se de um misto de escritórios e posto bélico avançado da Companhia, contando com o Aeródromo em sí, os Hangares com Brigadas de Incendio e Salvatagem, as Oficinas, estas, comandadas por uma curiosa mulher mecãnica (de cabelos brancos, a única "idosa" do filme e a que reúne toda a história pregressa, tanto do lugar, quanto do empreendimento).
Além dos Dormitórios de amplos quartos equipados com Beliches, Chuveiros, um Refeitório-Cantina de uso comum e um Salão de Jogos, com a indefectível mesa de snooker e o alvo de dardos à parede, como se lembrando que a pontaría, é o pré-requisito fundamental e motivo maior de todos estarem alí, reunidos.
Os recém-chegados, juntam-se sem muitas mesuras aos Veteranos, estes, igualmente jovens e estranhamente quietos, para suas primeiras missões, onde os diálogos paralelos vão se sucedendo e te envolvendo no desenrolar da trama num crescendo, graças às inserções de lembranças poderosas as quais, à princípio, parecem não fazer muito sentido, como costumam ser, aliás, as lembranças.
Os Novatos, chamados de "Kildrens", rapidamente tomam conhecimento das atitudes e da forte personalidade de sua Jovem Comandante, igualmente, uma piloto como todos eles, com a diferença que ela esconde um segredo inconcebível, além de contar com várias milhagens adicionais e muitas vitórias acumuladas em seu extenso -e letal- curriculum, sem contar a sua pistola 9mm, sempre semi-engatilhada no coldre.
A MISSÃO:  Enfrentar o inimigo aéreo, cada vez mais próximo, no caso, à bordo de potentes aviões pilotados por seus contra-atacantes,  àses igualmente corajosos e armados, isto, quando não tem pela frente o enfrentamento da esquadra completa da Companhia "concorrente", rugindo ferozmente acima de suas cabeças.
Dentre esses pilotos inimigos, um misterioso às é o líder mortal da esquadra em seu velocíssimo caça reluzente, com os Kildrens ouvindo a lenda recorrente que se trata de um Adulto, sendo raramente identificado com a insíginia de um Jaguar Negro na fuselagem, eles mesmos, funcionários exatamente como aqueles que estão à combater até a morte, um pouco no estilo "antes ele, do que eu", no dilema enfrentado pelos pilotos recém-adolescentes.
Essas duas companhias rivais, aparentemente, defendem do ar os territórios físicos e os negócios bilionários em terra, contratados por terceiros (uma metáfora da Guerra do Futuro?), com direito à logomarcas distintas, equipamentos com patentes exclusivas, designs, configurações próprias e, muito provavelmente, uma "Missão da Empresa" bastante particular, a qual faria corar muita multinacional moderna.
Afinal de contas, deter a supremacia tecnológica no ar, em termos bélicos, somado à bons combatentes e pessoal de terra absolutamente confiável, também conta numa desejável vitória ou conquista.
Algumas das ameaças aéreas, são pré-identificadas e detectadas à tempo, graças um poderoso sistema de radares terrestres, que coloca a esquadra atacada dos Kildrens em alerta máximo, prontamente decolando ao soar dos alarmes na Base.
Kildrens, Kildrens...

Mais ambiguidade, com pitadas de androginia?

Impossível...

Tratam-se exatamante da junção de Kids, com Childrens...
Algumas vezes, um Bombardeiro inimigo atravessa o dossel de antenas rastreadoras e consegue invadir as áreas geográficas próximas, cujas batalhas destrutivas e contra-ataques aéreos, épicos e definitivos, são acompanhadas pela população em terra .
Esta população, aparentemente, segue sua vida diaria em rotinas, sem nutrir muito interesse nos feitos aereos, quase que não fazendo muito sentido, se uma ou outra campanhia vencer, tudo assistido em tempo real, com imagens diretas dos céus da batalha, através dos noticiários das TV´s locais.
Da animação, ressalta-se a quase inacreditável resolução da tela e os enquadramentos da imagens, praticamente, com uma camera montada no cockpit do piloto, como aliás, várias dessas cameras reais à bordo, documentaram os mergulhos de ataque, metralha e bombardeamento dos caças durante os conflitos aéreos da Segunda Guerra Mundial, desde sempre, um tema e tanto.
Incluindo nas variadas sequencias mortíferas, o espatifar do inimigo em fuga desesperada adiante, retalhado em jatos infindaveis de balas tracejantes cujos rastros de luz, não deixavam dúvidas do imenso poderío de fogo à bordo das potentes metralhadoras gêmeas .50mm, instaladas nas asas e capazes de perfurarem facilmente um oponente, nao importando o seu tamanho, escala, armamento a bordo ou sua velocidade (ou tentativa...) de escape.
Morrer, para os Kildrens de The Sky Crawlers, é absolutamente natural.

Mais do que isso, é previsível.
Ossos do ofício, trata-se apenas de uma eventual consequencia de uma missão,  em muito similar à ética dos Kamikazes e seus Mitsubishis A6-M Zero da 2a. Guerra Mundial, tendo o gigantesco Oceano Pacífico como teatro de operações, voando com gasolina o bastante em seus tanques enormes, para que jamais retornassem aos Porta-Aviões de onde os pilotos decolaram, detalhe que evitaría o surgimento de pilotos em dúvidas, já que a opção de escolha, era, exatamente uma unica:
Nenhuma.
Na Guerra Aérea Japonesa, a guerra real, o Imperador-Deus e a Pátria, eram os reverenciados.

Neste The Sky Crawlers, o Comandante e a Companhia, é que são os reais considerados.
Os personagens, até mesmo o simpático dono do Pub no Vilarejo, são surpreendentemente introspectivos.

Os Kildrens, fumam adoidado, praticamente acendendo o próximo cigarro na ponta da bituca recém fumada até o filtro, não sem antes,  ser descartada no piso, discretamente pisoteada e apagada com um giro do coturno, extinguindo-a.

Alias, exatamente como e a vida.
Os pilotos, por vezes, elaboram perguntas desconcertantes, seguidas por questionamentos implacáveis.

Descobrem, por vontade ou por acaso ou são expostos à segredos íntimos devastadores ...

Se vêem calmamente apaixonados por outrem, em amores dos quais, senão impossíveis, com certeza absoluta, impraticáveis no contexto em que sobre-vivem.
Aparentemente, nada temem, nem à ninguém (exceto, talvez, à rígida hierarquia e sua missão fundamentalista) pois, sabendo-se de seu Destino previamente, o que há, de fato, para se temer?

Os Cíclopes, eram homens comuns, até terem se tornado criaturas reclusas, taciturnas e introspectivas, por que deram um de seus próprios olhos para obterem, em troca, a informação capital da existência, de resto, negada à qualquer vivente, desde sempre:

O dia e a hora exatas de suas mortes.
Assistindo ao eletrizante filme de 120 minutos (que se parecem 180!), tenho até um pouco de dó, desses moleques do hoje, que vão definir um The Sky Crawlers, no mínimo, como "sonolento demais, tío..."

Mas esse filme, defintivamente, não é destinado aos moleques.
 De fato, não é nem mesmo um filme para todos os adultos.

Ao menos, não, na grande maioria dos quais conheço, incluindo a sua sinsitra trilha sonora.

Sem contar as sutilezas de suas sub-narrativas, desarmando o mais feroz dos críticos insensíveis.
E olhe que assisti a este filme, por puro acaso...
... trocando de canais na TV a cabo e dando de cara com um tal "CAIRN" impresso no capacete de um óbvio piloto de guerra clássico, máscaras de oxigenio incluidas, em plena grade vespertina do calendaario de atracoes do canal Home Box Office (HBO).
Por varios instantes, achei até que, o que eu estava assistindo, era um filme em pelicula de 70mm!

Meu queixo caiu no chao, quando percebi que era um magnífico, raro e desconcertante "desenho animado".
The Sky Crawlers, de Hiroshi Mori, é cinema grandioso -dos bons- descrito com "c" maiúsculo.
No desfecho absolutamente espetacular, a satisfação quase agonizante de entretenimento entregue em estado puro, garantido por uma altíssima carga emocional de memórias, humanidades e dúvidas.

E, espero, uma possível continuidade da franquia, já que o título é uma clássica série de quadrinhos em animê que andou sendo publicada por anos seguidos no Japao.
Um filme que, quando acaba na subida dos muitos e numerosos créditos na tela, ja te deixa num absoluto silencio.

O horror, o horror, para todos nós, os pobres, os semi-infantilizados e os barulhentos Latinos-Americanos.
Prá quem não entender nada nem coisa alguma deste filme, sem maiores preocupações adicionais, por favor:



Tem sempre alguma merda, novinha, vaporosa e fresquinha em cartaz em algum Near Movie Theater!

Com aquela carga massiva destes pseudo-atores , tais como um abobalhado Ben Affleck ...

... um repetitivo Adam Sendler ...

... e um fraquíssimo Ben Stiller, todos te esperando às bilheterias e nos assentos, um verdadeiro chute no meio das bolas, prá quem ainda pensa, ainda que em doses mínimas...

Leve também um rolo dse  papel higiênico e aproveita prá atender o telefone celular ultimo tipo, bem no meio da narrativa do filme, dentro da sala escura.

Ou então, acorde para o seu tempo disponivel cada vez mais raro e in/disponivel de entretenimento pessoal e consuma -ou tente consumir- o que há de melhor, mas afeito só prá quem conseguiu cultivar o seu próprio senso crítico, em estado mínimo.



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