18 de mar de 2010

EU E A POLÍCIA (I)


Experiencias pessoais e intransferíveis são, como o nome composto parece querer urrar em nossos ouvidos, experiencias pessoais e intranseríveis.

Não fosse a quase terrível habilidade humana em mimetizar a realidade, inventando o imitador, teatro, o ator e o cinema (ou o perfil falso na internet, na "atualidade"...), com certeza, a experiencia da existencia não teria como ser tão multipla, reconhecivel ou rejeitada.

Alguém e a Polícia, por exemplo.

Algumas pinturas e inscrições ruprestes pré-históricas, puderam ser definidas por especialistas como uma pessoa que teria sido furtada, com essa mesma pessoa chamando por alguém que poderia ser definida como uma espécie de "polícia" da época.

Senão a polícia como a conhecemos no hoje, COM CERTEZA ABSOLUTA, era o embrião do que hoje chamamos como tal, como alias, ocorre me tudo das coisas que conhecemos, apenas, mais, digamos, "evoluídas".

A propria gíria paulistana MEGANHA ("me ganha"...), tem correlata até entre os Inuits, que usam um termo para definir o tipo policial: Seria algo como "aquele um, que tira a sua liberdade".

Meu primeiro encontro com a Polícia, no caso, a Militar, deu-se em minha própria casa na Vila Romana em São Paulo, um mini-bairro residencial delicioso de minha adolescencia, fundando para funcionários qualificados de uma companhia telefonica inglêsa por volta de 1940.

A Vila Romana era atendida pelo 7° Distrito Policial, onde fui tirar meu RG para poder viajar jogando pelo GEGEDEC, onde tinha até uma pequena cela, onde um dia fui ao seu pátio na parte lateral, lá resgatar minha Yamaha RD75 vermelha, apreendida em um pequeno acidente de transito local.

Mas o meu primeiro contato com a Policia, deu-se de modo.... estranho.

Só quem teve a casa pré-invadida durante a ausencia da familia que a ocupa, onde essa mesma familia chega para abrí-la e encontrar TODO O SEU CONTEÚDO VASCULHADO, pode TENTAR descrever a sensação, pessoal e instransferível, lembre-se.

Fracassando nessa tentativa "sensacional", póde-se descrever, ao menos, o cenário "pós Bomba H de Nagazaki".

É bizarro, prá dizer o mínimo. O andar dessa família pelos cômodos revirados, é feito sempre num tumular silêncio. Com meus 12 anos, sabia que algo MUITO GRAVE tinha se dado por alí, mas voce não cosnegue definir muito bem o quê.

Aparentemente, nada havia escapado da sanha vasculhatória do invasor. O que ele exatamente buscava? Dolares norte-americanos empilhados em maços? Jóias? Relógios de Pulso? Cofre oculto?

Dólares, de fato, haviam.

De minha posse, dois deles, ganhos de minha avó, Marietta de Lima Brizolla Steagall, em bom estado, com uma das notas ainda cheirando tinta do Banco Central "deles", acho que a efígie era um tal de Jackson or something like that.

Jóias, de fato, haviam.

Colares de pérolas verdadeiras, cultivadas e pulseiras idem, que as vezes eu tinha acesso, bem como estolas de um bicho empalhado, que supus ser uma raposinha, com olhos em contas-de-vidro que achava que tinham ficado rubras por um flash congelado, pois eram tingidas de vermelho, motivo de ódio de minha cachorrinha "Jóinha" (por que ela "era jóia", gíria dos anos 70 e batizada pelo meu irmão Fábio Steagall em férias em Águas da Prata ), que as vezes, trucidava a estola, talvez, pelo cheiro do animal ainda presente na pelagem.

Relógios de pulso, de fato, haviam.

Um feminino, com coroa minuscula, todo em ouro, "17 Jewels" inscrito em corpo 5 no mostrador, algarismos simulados como barras divergindo do centro e meu prório relógio, um Timex LCD comprado no Mappin, propelido á bateria do tamanho de um 2 botões empilhados.

Cofre oculto, de fato, haviam.

Uma latinha retangular de cantos arredondados, com o indefectivel furo em cima, grande o pabastante prá voce inserir notas de dinheiro como se fosse um voto, quase uma embalagem metálica de Kitut de Porco da Swift, cujo rótulo impresso lia-se COMIND, onde eu tinha uma conta de poupança pessoal na agência aos pés do Edificio itália, extratos devidamente impressos mecanograficamente.

Voltamos prá fora de casa, na calçcada sem árvores da Rua Mauricina (será que era irmã da Marcelina, a rua que nascia alí perto?), esperando a Polícia, que chegou em um Fusquinha, o radio chiando na cabine, uma interessante sirene branca no teto, parecendo um microfone de crooner de big-band.

Os Militares entraram na casa com DNA inglês-ferroviário, resistente, grande, bonita, com quintal nos fundos e jardim na frente, cautelosos, arma no coldre desabotoado.

Eu os acompanhei de perto, minha mãe mandou orientá-los pelos cômodos, eles iam me perguntando onde estavam e o que havia adiante, eu, me sentindo SUPER-IMPORTANTE.

No corredor, se detiveram e eu disse: "Aí é o quarto de minha mãe". O PM empurrou a porta de leve, ela voltou. Ele sacou o 38 e chutou a porta, ela voltou com uma violencia inacreditavel e bateu, travando-se.

O outro PM deu a volta, quando eu disse que tinha uma janela. Um tempo que durou séculos, eles se falaram e o PM de dentro abriu a porta com calma, arma de volta no coldre.

Havia uma enceradeira da Arno atrás da porta e, quando ele a empurrou, a haste devolveu o movimento, num susto compreensivel, a sensação de "alguém", era muito forte demais, prá ser ignorada.

Eles sairam e pegaram uma prancheta de Eucatex na viatura, fazendo perguntas prá minha mãe, enquanto eu investigava as minhas gavetas do guarda-roupas e escrivainha que me humilhava, pintada em um tom que nuinguem me enganava que era um cor-de-rosa, absolutamente ridículo, "era de uma menina", soube tempos depois, devidamente re-pintada do mais abosulto e sublime branco que encontrei na loja de tintas.
Meu segundo encontro que tive com a Policia, fica prá proxima.

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Capriche. Não curto Anônimos, mas costumo perdoar os Covardes. (Às vezes, me sinto covarde, então...)