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7 de dez. de 2009

URBANAS: OS NOVOS CARCEREIROS

Conte exatamente AGORA quantas chaves voce tem. Se passar de 03 unidades, começe à chorar pela miserabilidade que a vida urbana contemporânea parece nos querer brindar e olha que eu não pedi prá contar as chaves lá do clavicular.

As chaves são uma das heranças mais medievais que insistimos carregar com a gente, como o são as guelras vestigiais que exibimos quando ainda estamos no oceano salgado do útero de nossas mães com reles e frágeis 02 centímetros destruindo para todo o sempre as poli-absurdas e insanas Teses Creacionistas e nos lembrando fascinadamente que a vida surgiu mesmo no mar, foi assim.

A outras das heranças estúpidas é esse tal de auto móvel, mas fiquemos com as chaves, prodigiosa adaptação e evolução quase máxima do que foram as trancas e ferrolhos, ícone máximo utilizado em segredos e em tudo o que nós queremos preservado, guardado, protegido, ocultado, escondido, não é a toa que utilizamos o ´trancafiado a 7 chaves´ quando importância é supra sumo.

Perdi minha primeira chave, no caso, o conjunto de 03 chaves de casa, dentro de um ônibus vazio voltando da natação do clube, essas, novidades à época, os pegadores em plástico colorido, facilitando a identificação visual, estranho eu ter notado que as vermelhas eram as que mais sobravam lá nos chaveiros.

A sensação foi devastadora. Primeiro, o medo absoluto, perto do indizível, a exata dimensão do insondável, o pensamento fica num suspense, toda sua existência se resume num único e inescapável sentença fixa: 

ONDE ESTÃO?

Claro que, como quase tudo nessa vida, damos pela falta de algo justamente na hora da qual mais precisamos dela e, na verdade, não é que justamente a hora acontece, mas é por que temos que economizar o cérebro para tarefas mais nobres, foi por causa de esquecermos que evoluimos tanto, demais até.

É como procurarmos as (ARRÁH! ) chaves e só conseguirmos encontrá-las, MAS QUE COISA!, somente no último lugar que decidimos procurá-la, meu deus do céu, por que não me lembrei disto antes? Novamente poupança do cérebro das brabas: Não achamos as chaves no último lugar que procuramos, pelo simples fato de que, ao achá-las, continuar procurando-as é estupidez.

As chaves lá de casa eram três, Amarela, Azul e uma Vermelha (Hmmm...) mas estranho, eu nunca me recordo de haver trancado algo em quase toda minha existência ou, se o fiz, foi algo que nem passou pela memória, isso, restringindo-me às nossas fascinantes pré-adolescencias, quando vivemos a imitar os estranhos mundos, já prontos, dos que fazem eles, os adultos.

Desci num ponto bem longe, o final, com isso, eu ganhava mais uns bons 4 minutos de paisagens de um bairro residencial em lenta, mas constante mutação e andava até em casa a qual, vazia nesse dia, minha chave, bem...

ONDE ESTÃO ? Da dúvida, passa-se à aflição e depois, caso voce seja bem equipado emocionalmente, etapa decisiva seguinte:  

CARALHO!!! ...como é que eu vou entrar, agora ? 

( Está bem: Nessa época eu JAMAIS teria falado CARALHO com a boca cheia, decidido, másculo e viril até por que, nessa fase da vida, o macho aqui chamava o pinto de BILIM, sim, apelido doméstico de minha tia Walkíria e bunda, achtung! dicionários de Táti-Bitáte -a chamada lingua dos babes- era o inexistente BULUM. Bunda e Pinto lá em casa eram Bulum & Bilim. Não é perfeito ? Se podemos simplificar, por que complicar ? Tia Walkíria aplicando os conceitos da Navalha de Occam, empíricamente... e olha que a gente já tinha idade de saber que nosso bilim, podia ir no bilim das nossa amiguinhas, mas não sei por que, isso eu não me lembro de ter acontecido, talvez por que o bilim do macho aqui era um amendoim de 2cm)

E, eis que me vejo batendo palmas -adoro bater palmas nas casas dos outros- na vizinhança, pedindo prá pular os muros dos fiundos e entrar na casa pelas janelas, que não tinham qualquer tranca.

E, espero, que ainda estejam assim.

CHRISTIAN STEAGALL-CONDÉ

4 de nov. de 2009

ATO MÉDICO: Pedantismo ou Vagabundagem?



Lá na minha rua, quando alguém "se achava" (mesmo que esse termo "se achando", tendo sido achado só recentemente...), dávamos o nome de V-A-G-A-B-U-N-D-O.

Mais como o argumento em sí, do que da falta de serviço literal deste mesmo Le Citoyen.

Agora, me assuntando sobre esse tal de ATO MÉDICO, me veio à lembrança essa "vagabundagem" argumentativa, como no caso de uma presunção de capacidade prescritiva, frente aos Fisioterapeutas.


Felizmente, ainda existe vida inteligente na classe biomédica, como esse BRILHANTE artigo, descontada sua finíssima ironia, prova absoluta de sua esmagadora superioridade.

Sirvam-se.

E sirvam-se, de cabeça curvas, ó mortais!


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"Caros senhores favoráveis ao Ato Médico,

Se o grande problema é "prescrever", por favor, preciso que me prescrevam um tratamento fisioterapêutico para um paciente de 45 anos com uma tendinopatia crônica do tendão do músculo supra-espinhoso, apresentando calcificação no tendão. Ele apresenta história ocupacional de trabalho com elevação dos membros superiores acima do nível da cabeça (é vendedor de loja de roupas).


Como é ex-jogador de voleibol, desenvolveu lesão do nervo supra-escapular, que culminou numa atrofia do músculo infra-espinhoso. Devido a distúrbios hormonais, desenvolveu osteoporose. Na avaliação, apresentou restrição da mobilidade da cápsula posterior do ombro, fraqueza dos músculos rotadores internos do úmero (grau 3), além de fraqueza de serrátil anterior e trapézio fibras inferiores (graus 4 para os dois músculos). 


A articulação esterno-clavicular também tem sua mobilidade diminuída. O que devo fazer, Dr.? Como posso fazer para restaurar a mobilidade da articulação? O que é mais indicado: mobilização articular ou alongamento? No caso de ser mobilização, que grau devo utilizar? No caso de ser alongamento, é preferível o alongamento ser estático ou balístico? Ou seria melhor utilizar de contração-relaxamento? Qual o tempo adequado de manutenção do alongamento? Ou será que é tudo contra-inidcado, devido à osteoporose?

Com relação ao fortalecimento dos rotadores internos do úmero, qual exercício seria mais indicado para fortalecer o músculo sub-escapular, importante na estabilização dinâmica da articulação gleno-umeral? Devo usar thera-band, halteres, resistência manual ou simplesmente realizar exercícios ativos livres?


Com relação ao serrátil anterior qual exercício seria mais indicado? Push-ups? Protração resistida? Exercícios ativos apenas, simulando atividades funcionais e procurando evitar movimentos escapulares anormais? Tudo isso? Nada disso? E se ele utilizar de compensações para a realização dos exercícios, como devo proceder?


Com relação ao trapézio inferior, é melhor fazer o exercício contra ou a favor da gravidade? Devo ou não utilizar de movimentos ativo-assistidos? Qual o melhor exercício? 


Existe tal exercício?

No caso da restrição da articulação esterno-clavicular, é necessário corrigir essa alteração de mobilidade? Se for, é possível corrigí-la? Como proceder. Tem contra-indicações ou precauções? Não podemos esquecer de tratar também o tecido lesado (tendão do supra-espinhoso). Ele apresenta dor moderada ao elevar o membro superior D acima de 90 graus, que diminui a praticamente zero ao abaixar o braço. 


É necessára analgesia? Se for, que forma TENS? Qual a modulação (frequência, comprimento de onda, duração e intensidade)? Ou será que crioterapia é melhor? Em qual forma de aplicação? Por quanto tempo? Ou será que nenhuma analgesia é necessária?

O que posso fazer para estimular o reparo do tendão? US (quantos MHz? Quantos W/cm2? por quanto tempo? Onde aplicar?), Laser (qual a intensidade? duração? tem contra-indicações?), exercícios (excêntricos, concêntricos, isométricos, resisitidos, livres? quantas séries e repetições? Qual o intervalo entre séries? Quantos RM? Devo fazer todos os dias ou não? É contra-indicado exercício?). Como posso fazer um  xercício para supra-espinhoso?

Por favor, repassem essa mensagem com urgência para todos os médicos com competência para me ajudar, pois estou com o paciente afastado do trabalho por invalidez e continuo aguardando a "prescrição médica da fisioterapia", já que sem a "prescrição médica", segundo o ato médico, não posso fazer nada e nós todos os brasileiros, inclusive os médicos estamos pagando para ele não trabalhar. 


Não deixemos esse afastametno virar aposentadoria!

Concluindo: Sim ao ato médico, desde que os médicos estudem na faculdade todo o conteúdo que outras 13 profissões da área de saúde têm em seu currículo.


Marco Tulio Saldanha dos Anjos
Fisioterapeuta

CREFITO-4   51246-F





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Obrigado ao fisioterapeuta, o inteligentíssimo sr. Marco Tulio Saldanha dos Anjos, o qual, mesmo nunca tendo-o visto mais gordo (e tendo a absoluta certeza que morrerei, sem conhecê-lo), demonstra que o surrupiar do que é "do outro", corporativamente sustentado por poucos médicos e estranhamente silenciado pela maioria deles, infelizmente requer um "chega prá lá".

Como este.


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PS: Como o meu 8º leitor, o Sr. A. Nônimo bem sugeriu, o argumento dos Sr. Marco Tulio Saldanha dos Anjos seria um "absurdo", pois "claro que as coisas não funcionam assim".

Sei.


Concordo com o Sr. Nônimo. 

Assim como concordo com o absurdo que está o Ato Médico, de acordo com a proposição da lei do mesmo.

Quer votar?

http://www.senado.gov.br/sf/senado/centralderelacionamento/sepop/?page=enquete_ant