12 de out de 2009

ARTISTAS SÃO AS ANTENAS DA RAÇA (...e Não o Mainframe...)


Se tem uma coisa que me aborrece profundamente, entre as centenas de bilhões de coisas que cada vez mais andam conseguindo exibir a proeza e a musculatura de me aborrecer profundamente, é essa "nova safra" de "artistas", da qual as "modernas" sociedades urbanas andam regurgitando em ondas sucessivas, quais tsunamis do mau gosto, verdadeiros caçambões de irrecicláveis, encalhando e entulhando à esmo, nas praias da(s) estética(s) contemporãnea(s).

Artistas são a Antena da raça.

Mas NÃO são o "Mainframe".

É absoluta verdade que a analogia procede, isto é indiscutível.

Mas, travestidos sob esta feliz analogía de "captador" e em muitos casos, "decifrador" das bilhões de mensagens, à disposição de quem puder ou souber re/codificá-las, existe MUITO lixo e muita falta de talento, á começar pelo termo "artista plástico", quando deveriamos ter a decência de dizermos "artesão", quando muito.

Lembro-me de um episódio ocorrido em São Paulo (SP) na década de 80, quando fui perguntar à minha mãe de como estava sendo morar numa nova região da supermegalópole, emendando com um "que bairro fica mesmo?" e ela, rindo ao telefone, me disse:

"-Fica no maior bairro de SP: Morumbi..."

Sem entender os risos, respondi com um "-HÊIM???"

"... esses corretores de imóveis... prá facilitar a localização, chamam qualquer entôrno por aqui de Morumbi, mesmo o Morumbi real ter só algumas quadras e, em muitos ´casos´, fazer ´fronteira´, dos Jardins, ao Taboão da Serra... "

Tal e qual, esse tal de "arte".

Lí na biblioteca da UEL, capítulos inteiros -ILUSTRADOS!- de idiotas fundamentalistas, quando calouro de arquitetura, arrazoados exteeEeensos e cheeeEEeeio de letras, dizendo que Bisões das cavernas, haviam "deliberadamente sido pintados nos relêvos da rocha, para que voltassem á vida, sob a bruxuleante luz das fogueiras, em um rito mágico..."

RITO MÁGICO ?????

Esperem um pouco... Então, a consciencia desse cara, desse pintor histórico, desse ARTISTA, como queiramos.... O olhar dele, a sua habilidade em fazer pigmentos... tudo prá obter um certo "poder mágico"... para o que? Propiciar boas caçadas ?

Isso equivale á uma mãe de festinha de 15 anos, olhar prá filha debutante e declarar algo como um promissor e brilhante futuro, para uma fedelha feia e desengonçada, cujo único foco na noite, consiste em trocar de vestido umas, sei lá, quantas vezes...

Isso sería como se, num futuro longínquo, caso nos destruamos, alguém der de cara com o Jipe Lunar em nosso satélite natural e concluir que deixamos esse artefato por lá, para podermos vê-lo da Terra e.... lembrarmos que sempre poderemos contar com os... AUTOMÓVEIS!!!

Mania estúpida essa, que as religiões conseguiram destruir o óbvio:

A de nunca darmos os créditos!

O HOMEM É O CARA!

... Ele é tão atrevido, que criou um próprio deus, à sua imagem e semelhança!

Bem como um Filho, uma Mãe piedosa e um sistema inteiro de, digamos, bem-estar, acumulado por centenas de conjecturas profundas e escrituras dos saberes humanos, re-re-compilados...

Agora, tenho que aguentar mais e mais, essa onda mística, era de aquario, feng-shui, anjos, signos, ascendentes...

Prá começar, esse tal de Feng Shui...

SEU DEUS!

Será que NINGUÉM consegue perceber que ele evoluiu de tempos imemoriais.... e hoje lhe damos o singelo nome de DECORAÇÃO DE INTERIORES ???

...e SE EU VER MAIS UMA DESSAS OBRAS "MÍSTICAS", de neguinho que se acha um Salvador Dalí redivivo... Vou comprar um tapa-olhos, prá passar à observar nosso (i)mundão, pela metade...

Quem sabe, alivio ao meio, o meu mal-estar súbito por inteiro... ;)

Um comentário:

  1. Aliviando – pela metade ou não – o seu mal estar súbito, o fato é que você tem razão. E o pior não é verificar a falta de talento dos “artistas plásticos” da vida, é ainda ter que ouvir de um deles que você “não entendeu” a obra. Porra! Quer dizer que além de perder tempo olhando as “criações” do vivente eu ainda sou obrigado a entender (?!) quando o grande lance é justamente não entender!

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Capriche. Não curto Anônimos, mas costumo perdoar os Covardes. (Às vezes, me sinto covarde, então...)