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11 de jun. de 2013

O TURISMO NAS CIDADES PEQUENAS

O jornalista diplomado Maurício Reale Nogueira, me entrevista:
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1.       O que deve ser levado em consideração para desenvolver um projeto de turismo e lazer em cidades de pequeno e médio porte?
A primeira das análises, é contratar uma consultoria externa, de profissionais liberais cujas áreas de atuação não sejam necessariamente do turismo, como arquitetos, urbanistas, sociólogos, geógrafos e até mesmo historiadores e biólogos. Isto é necessário, por que, na maioria das vezes, pensa-se com os próprios umbigos, e, se o gestor não puder contar com o seu próprio pessoal de apoio interno, o qual possua alguma visão crítica (ou ao menos que seja um staff viajado, no sentido de ter experimentado outras realidades urbanas, não necessariamente no exterior ), daí, alguém com uma visão de fora do processo, costuma enxergar melhor e detectar mais rapidamente aquilo que os habitantes locais, em muitos casos, estão cegos de tanto verem ou sequer presumam potenciais, ainda que se utilizem da própria intuição.

Apenas para dar um exemplo estatístico, portanto, comum em todo o planeta, cidadãos paulistanos nunca subiram no mirante da Torre Banespa (hoje, Santander) no centro de SP, um belíssimo exemplo da arquitetura do estilo Art Decô e, raríssimos serão os cariocas que já subiram no Pão de Açúcar pelo bondinho, bem como quase nenhum romano já visitou as ruínas do estádio do Coliseu, mesmo morando no mesmo bairro daquela imponente e majestosa atração arquitetônica.


Ou seja, é o olhar de fora, que valoriza o que há dentro.
Também conhecido como "o olhar do estrangeiro". 


Não se pode esquecer que uma boa parte do motor do turismo, trata-se de um componente emocional e, não raro, daquilo que nos falta ou que não temos ou desconhecemos e assim, nos atrai.
Há também o componente do deslumbramento (no sentido de se iluminar) e do nôvo: Supondo que voce tenha renda para ir à Grécia, visitar apenas duas cidades, digamos Tessalônica e Paleofarsalis, distantes uma da outra. Oras, se alguém lhe alertar previamente que ambas se parecem muito, com toda a certeza, você eliminaria um dos dois destinos, substituindo-o por outro, como por exemplo, Atenas.


No mais, o turismo é um comportamento natural humano, que sofreu modificações muito sutis e está profundamente enraizado em de como nossos copos funcionam. Fundamentalmente, designado para percorrer distancias terrestres monumentais, mesmo que, no hoje em dia a maioria de nós nos restringimos bastante, via civilização, mas o ímpeto interior, atávico, não arrefece tão facilmente e costuma nos impelir adiante, até mesmo na Terceira Idade. Costumo enfatizar que somos ambulantes, por design e, quando negamos isto, começam nossos problemas físicos, que, claro, afetarão as mentes.


E, especificamente no que fazer, para termos um vetor turístico, com certeza, fazermos a lição de casa: Ruas impecavelmente limpas e varridas, asfaltamento liso e duradouro, molêdos revisados nas áreas rurais e sinalização adequada, sem contarmos iluminação e incentivos municipais variados, tendo em vista a paisagem e os cenários cotidianos, sejam urbanos ou vicinais, sem esquecermos dos treinamentos da própria população local, no atendimento e recepção de visitantes ocasionais, sejam frentistas de postos de gasolina, guardas, garçons ou jornaleiros e garis, bem como a elite local, convidando-os à refletirem sobre suas opções, afinal, a maioria de nós viveremos as nossas vidas no mesmo local, por quase a vida inteira, então, por que não nos dedicarmos á isto?

2.       É possível aproveitar áreas de preservação ambiental para projetos turísticos?

Quando se fala em "preservação ambiental", é bom termos sempre em mente que a maioria das pessoas não tem a menor das noções ou possuem a mínima das ideias realistas, do que o termo se trata.
Assim como a tal de "qualidade de vida", ambos os termos muito elegantes, mas frequentemente mal empregados, com muita veemência, especialmente, pela nossa classe política.


Quando falamos de "preservação ambiental", pensa-se majoritariamente em áreas verdes ou proteção às árvores ou animais, em aguns raros  casos, até de uma bacia hidrográfica (rios e lagos).
Mas o próprio termo "preservação ambiental", agindo como tal, costuma restringir ou em alguns casos, impedir a visitação humana, principalmente, por que ainda estamos em uma fase de turismo que pode ser considerada predatória, de baixo respeito aos espaço comuns.


Vilha Velha no PR, sofreu décadas com turistas que "só pegavam uma pedrinha do chão", como souvenir e, esta verdadeira "erosão humana", com milhares de visitantes ao ano, quase fez o parque estadual virar pó.

Preservação ambiental, para ser o que o termo anuncia, implica em também propiciarmos um habitat seguro para cobras, escorpiões, morcegos, abutres e insetos, animais magníficos e necessários, mas, se numa hipótese remota, deixarmos que o grosso das pessoas opinem, nós só teriamos animais como poodles dóceis, gatinhos fofos, canarinhos cantantes e carneirinhos macios.

Sussuaranas, por exemplo, magnificos felinos encontráveis nas Três Américas, hoje é uma raridade, por causa da fragmentação da Mata Atlântica. E pecuaristas, por pensarem apenas em seus bolsos e pastagens nuas, costumam ser os vizinhos imediatos destas raríssimas areas naturais remanescentes, então, temos muito o que avançarmos, ainda.


O turismo, deve ser gerido de tal modo que ele se enamore da Mãe Natureza, de modo harmonioso. 


Campos de caça controlada, por exemplo, com animais chipados, seria uma opção viável e em meu ponto-de-vista, coerente com a espécie que somos. Matamos 150 milhões de porcos, bois, galinhas e peixes todos os dias, para nos alimentarmos, por que não faisões, cervos e assemelhados?

3.       Cite projetos que deram certo em cidades pequenas ou médias.

A grande maioria dos projetos brasileiros que poderíamos considerar "turísticos", nasceram de forma espontânea, devido à uma vocação regional pré-existente, um acordo produtivo local intuitivo ou devido ao voluntarismo de um determinado grupo mais ou menos organizados de atores sociais, com áreas de interesse comuns.


Não quero citar aqui projetos desconhecidos, mas vou reforçar três deles que conheço de muito perto, onde o ponto em comum, é a sua potencial atração turística anual:


Um deles, ocorre no norte de SP, na cidade de Barretos (112.000 habitantes). O que hoje é um evento de grande porte com patrocinadores de peso, e visitantes internacionais, começou numa republica de estudantes de agronomia, que se reuniram para organizar um pequeno rodeio num final de semana, combatendo a monotonia de uma cidade pequena.


O segundo projeto, fica em Rolãndia (57.000 habitantes), belíssima cidade do norte do Paraná, que leva o nome do personagem histórico "Roland", um nobre guerreiro medieval da então Germãnia. Sua Oktoberfest está agendada no calendário de eventos do Estado e começou com uma pequena quermesse.


Por último, temos em Londrina (515.000 habitantes), a Festa Metamorfose, um evento à fantasia o qual começou numa republica de estudantes sem dinheiro a qual, não por acaso, eu estava em sua primeira edição, acompanhando sua "evolução", até ter se tornado um evento privado de médio porte, que atrai pessoas até de países vizinhos do Brasil e chega a lotar as dependências sem uso frequente de um parque como é o da Sociedade Rural do Paraná, onde já é realizado, com sucesso, a Exposição Anual, no mês de abril, atraindo publico de todas as faixas etárias e classes sociais.

4.       Você não conhece muito bem Santo Antonio da Platina, mas o que poderia ser feito nas áreas de turismo e lazer?

O Morro do Bim, é uma espetacular formação geológica, bastante antiga, de pequeno porte, oriundo da intensa atividade vulcãnica dessa parte do estado, cuja rápida urbanização de seu entorno imediato, o ameaça constantemente por todos os flancos. Convertê-lo em área de preservação urbana, lhe daria caráter e valorizaria o que já existe, o mar de antenas de transmissão, como ícones eletrônicos cointemporâneos, incluído, os quais poderiam, como exemplo atual, faiscarem como faróis costeiros modernos, com flashes aeronauticos sincronizados, à guisa de exemplo do que se promover.


A ex-Estação Ferroviária da Platina, com seu entorno imediato e mais o conjunto arquitetônico construido pela R.V.P.S.C., é um núcleo histórico importante, é a matriz da cidade. É belíssimo, único e merecia atenção também do próprio Estado, bem como organizarmos a existência de um trem turistico sazonal, por exemplo, de circulação restrita durante os invernos, nas férias escolares de Julho, sendo possivel, movido à lenha, com tração à vapor.
Contudo, vendo o que aconteceu com a clássica estação construida toda em madeira, da vizinha Joaquim Távora, devastada que foi por um incêndio iniciado por um moleque, temos que ter noção de cuidarmos primeiro do que já temos, antes de criarmos "velhas novidades".
Poderíamos ter rotas rurais para o ciclismo de aventura, com estações de apoio em fazendas ou fundos-de-vale ou até mesmo, roteiros elaborados por tração animal, como cavalos por exemplo.


Sobre o turismo religioso, em geral, eu jamais o verei com bons olhos pois, por principio, acaba sendo excludente e atende somente aos adeptos da seita que o promove. Num país de população plural, com liberdades de pensamento, e sendo e Estado laico, usar dinheiro publico para uma igreja é, prá dizermos o minimo aqui, um crime social e de pré-conceitos estabelecidos.
No mais, temos todos que ter sempre na mente, a máxima que o próprio mercado nos ensina: 


Evento grande, capitaliza,
evento pequeno, fideliza.
Ou seja, a escala é -e será- determinante.


Como em tudo nesta vida, temos que fazer escolhas e, até podemos e temos o pleno direito em pensarmos grande, mas eu canalizaria isto no sentido de um projeto completo, após análise cuidadosa dos potenciais locais e/ou regionais, para somente depois disto, agirmos.
A incubação de qualquer iniciativa turística, é bom alertar, demanda tempo, testes reais, projetos-piloto iniciais, analise de similares e avaliação dos resultados.


Só daí, pode-se implantá-la, inclusive, com dinheiro público, pois é rubrica a qual, ao menos em tese, beneficiaria indiretamente toda uma população.
Só que, sem verba, o mundo das idéias não se materializa e, desde que o mundo é mundo, este é movimentado, primeiramente, pelas próprias ideias.
Ao contrario do que as pessoas comuns pensam, são as ideias que movimentam o mundo, e não os recursos. O que temos de verba parada no Brasil, aguardando boas idéias, daria para fundarmos um novo país, mas ninguém vai meter as mãos nos bolsos, sem consistência e, principalmente, sem uma boa ideia, não importa a área de atuação humana.


Em pleno inicio de Século XXI, estamos ingressando na Era dos Conteúdos Profundos, dos Roteiros Elaborados e dos Projetos Completos e, com estes, é como conseguiremos planejar melhor, implementar direito e manutender com eficiência, deixando o estado ocupado como o regulador e, sendo o caso, financiador destas relações de mercado, levando em conta que o planeta, a cada século que passa,  possui recursos finitos e não teremos como importar de outros lugares nada de valor, especialmente, águas potáveis e ares respiráveis.


Christian Steagall Condé, para o jornalista Maurício Reale Nogueira, da Tribuna de S.A.P.

16 de dez. de 2012

Voce já foi à Brasilia? ENTÃO, VÁ!

Tomando emprestado o convite de Dorival Caymmy e substituindo Bahia por Brasilia, nossa Capital Federal, é a um só tempo emblema e vontade e desejo. 

Emblema, por que com o seu urbanismo de esplanada, no lúcido projeto de Lúcio Costa, mostrou ao mundo todo de como uma nação jovem arrumaria os seus passos, dalí em diante. 


Vontade, por que, no meio do nada e longe de tudo até então conhecido, erigimos um cenário estupefasciente, incrustrado no coração do Cerrado, algo somente possivel em países jovens ou até mesmo quem sabe, à caminho do ajuizamento. 


Visitar Brasilia, é algo impossível de se descrever em palavras modestas. 


A escala é pretensamente absurda, impressionante, aeroportuária, afeita à Dirígiveis Alemães e Seres Gigantescos. 


Nós, os Humanos para quem essa Maravilha do Mundo Mmoderno foi erigida, tornamos-nos meros elétrons em trãnsito, indo de "A" à "B", da forma mais rápida e linear possivel, extamente como num Sistema Circulatório. 


Temos que trocar a régua do metro, pela barra do quilometro. As quadras e as quatro esquinas daquelas decorrentes, nas quais todos nos fomos moldados, inexistem e cedo, ainda pelas manhazinhas secas, temos de educar nossa visão, tamanha é a invasão do céu, dentro de nossas cabeças, sempre presente e massivo e límpido, não importa por qual das Asas, a Norte ou a Sul,  estejamos pousados...

Para povoar o imenso vazio, Oscar Niemeyer, diletante do arquiteto franco-suíço Jeanneret (dito "Le Corbusier"), era o homem da vez.   JK, o presidente mineiro (que dá nome em uma de nossas avenidas cá na "Filha de Londres"), encontrou no desenhista de sonhos a sua maquina operacional particular, para o ambicioso plano de mudança pública.


Entretanto, passados bons 52 anos da experiencia urbanistica, algumas questões começam a ficar, digamos assim, interessantes de se discutir.  Primeiramente, é indiscutível que a Arquitetura é, foi e será a única configuração humana possível, onde reunimos todo um saber, recursos abundantes (em especial, o financeiro) técnicas consgaradas via experimentação, somados à um um espírito de seu tempo, para marcarmos nossas presenças em um mundo o qual, no ciclo de vida humana, se tornará, mais dia, menosdia, imaterial, como ocorre, aliás, para todos nós. 

Assim, é ela quem atendeu aos anseios de poder e recursos da mais espetacular das civilizações, o Egito dos Faraós, para ficar num único exemplo histórico, entre dezenas de outros, o mais recente, e com o mesmo viés atávico, o ex-porto anônimo de comerciantes de pérolas, Dubai. 


Falando em exemplos e fazendo aqui com o leitor um teste simples, se eu citar três capitais tais como:


PARIS,
LONDRES

NOVA IORQUE

... não raro, logo vem à mente da esmagadora maioria

a Torre Eiffel (projeto do arquiteto Sauvestre), 

o Edifíco do Parlamento (projeto do arquiteto Barry


e, muito provavelmente, lembraremos de Arranhas-Céus, com centenas de arquitetos como autores delas. 


E o Brasil? Qual é mesmo a nossa cara ? 



Dificil dizer, pois nos vêem, muito mais do que nós nos vemos. 



Em termos de escala, o escritório do arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer, contabiliza mais de 5OO projetos. Só para termos uma idéia de comparação, o escritório do consagrado arquiteto londrino Norman Foster, mal passa da metade da cifra. Um aspecto importante, entretanto, ninguém poderá se furtar: Oscar Niemeyer representou um Brasil mundo afora, qual um embaixador credenciado, onde nem mesmo governos inteiros, por meio século de oportunidades desperdiçadas, conseguiram laborar, no sentido de uma "imagem" para o nosso Brasil. 



Só prá constar, até o café, para países como os Estados Unidos, o bom mesmo é o da Colômbia, e qualquer bom bebedor sabe que por lá, o marketing funciona melhor, como funcionou para nosso latino vizinho de fronteira e aqui ficamos na borra, até nisso... 



Assim, o que exatamente esta arquitetura do nosso Grande Mestre representa? Quando nos bancos da escola, o carioca mal é mencionado, alías, Lucio Costa, o urbanista, é bem mais estudado. Entre não poucos mestres que tive, ele é tido por "arquiteto chapa-branca", alguns autores o consideram um escultor fabuloso, e outros, simples assim, ignoram solenemente suas obras.  


O fato, é que Niemeyer não concebeu "a" arquitetura, e sim, uma, entre tantas infinitas possibilidades materializadas do pensamento, quando juntamos água, areia, pedra, ferro, cimento e vidro e idéias. 
 
Para alguns dos meus clientes da arquitetura (não atuo exclusivamente no ofício, diga-se), costumo dizer que "uma casa feia, custa o mesmo que uma casa bonita", no sentido de que, em termos de matérias primas fundamentais, mansão ou favela se servirão das mesmas.
E ao final destas contas no balcão do depósito de materiais de construção, se passarmos a régua, esta tal de Arquitetura Modernista, ela é feia ou é bonita ? 


À luz do que temos nesse início de Século XXI, promissor em todos os sentidos, a fórmula utilizada pelo arquiteto centenário, não tem mais razão de ser e, bem colocado, das dezenas de vertentes do Modernismo, ela nem é a majoritária, muito pelo contrário. 


Apenas se consideramos o viés ambiental e ecológico, suas obras são algo bastante aproximado de uma hecatombe nuclear, um tiranossauro devorador de recursos, inclusive de longo prazo, tamanhas as necessidades adicionais para mantermos conforto térmico e acústico, dentro de suas edificações, pois carregam em seu DNA, tempos que não mais os viveremos, em especial, dos Milagres Economicos e outros rompantes políticos. 


Como usuário, um ambiente como o Memorial da América Latina, das quase 2OX que lá estive, sempre tive ganas de eu mesmo abreviar a vida do Grande Mestre, com mínhas próprias mãos nuas. Entretanto, visitar o Prque Temático Alusivo ao Concreto nos baixios pelanemente drenados da Barra Funda, vale pela experiencia sensorial de sabermos de como um deserto opera, de como a solidão é possível no meia da Floresta Urbana e, falando em árvores, de como podemos simplesemente igonrá-las para todo o sempre, ainda que descendamos EXCLUSIVAMENTE DAS ÁRVORES, por simbiose pérfeita, justo elas, que nos trouxeram até aqui., lá se vão 3OO.OOO.OOO mihões de anos con/vivendo com essa formidável espécie.

Agora, no hoje, o fato de termos herdado este espetacular e frio parque temático, com ícones que transcenderão familias, governos e estilos, não nos eximirá em descuidarmos de tão assombroso patrimônio jamais construído, incluindo cidades inteiras.


Até mesmo, para que gerações futuras possam nos olhar de lá adiante, e, quem sabe, perceberem o que é que um país, com emblemas, vontades, e desejos, foi capaz de conceber em conjunto com seus desígnios mais fundamentalizantes.

Foi o Espírito de uma Época. 


Mas já foi.

CHRISTIAN STEAGALL-CONDÉ,
arquiteto

15 de mar. de 2012

Londrina/1991, Beiruth/2012


No Anno Domini de 1.991 ( incrivel: lá se vão mais de 2O anos! ), comecei à por em papel A4 algumas conceituações construtivas, graças às provocações de obras geniais da Arquitetura & Urbanismo, das quais tive contato com excelentes títulos, muitos destes, impressos em espanhol e em inglês.



Livros filtrados e decupados pelas mentes privilegiadas dos meus professores e mestres universitários na UEL de então, entre os quais, listaria de pronto:

 Otavio Yassuo Shimba, Marcos Fagundes Baranabé, Nestor Razente, Kleber Ferraz Monteiro, Jorge Marão, José Luiz Faraco, Antonio Carlos Zani, Humberto Yamaki.

E, ajudado que sempre fui pelos funcionários:
 Vanda de Morais, Igor Paulo Merback, Adilson Francelino Alves e Carlos Alberto Duarte, dentre tantos outros interessados no que éramos e para o que alí estávamos .



O primeiro dos "conceitos" que sugeri, fora o aproveitamento integral -ou ao menos parcial- das Coberturas no Topo dos Prédios Urbanos Centrais, uma espécie de 9a. Maravilha do Mundo, afinal, o impacto dos míticos Jardins Suspensos da Babilônia ainda reverbera nas mentes de qualquer ser vivo minimamente lido.


Conta a lenda, que se tratavam de um conjunto edificado de férteis platôs verdejantes, artificialmente cultivados e irrigados, no meio de um clima brutalmente desértico que se deteriorava rapidamente, via esgotamento dos recursos florestais naturais e, convenhamos:

Basta ver qualquer caipira pé-vermelho numa cidade grande e moderna, prá entendermos que não deve ter sido brincadeira, na época de sua concepção pelos arquitetos da Antiguidade, projetar e contruir esse privilegiado Oásis Artificial, especie de Condomínio Fechado, erigido em benefício da (quem mais, ó, tolinhos?) Elite de então.

Não devendo nada, aliás, às atuais "Disneylândias do Petróleo", pipocando nos litorais do Golfo Pérsico.


1O anos depois, os diversos rascunhos ganharam uma face bem mais  reconhecivel, ao inserir a conceituação na malha urbana do Centro de Londrina e, para minha surpresa, assim que orqanizei uma Mostra Individual no Espaço CEDDO em 2004 ( por ocasião dos 7O anos do aniversário da cidade ), a cidade APARENTEMENTE despertou.

Em seus aniversários até 2004, Londrina era muito "engraçada: 

Era um tal de correrem atrás de imagens de seu glorioso passado, e ficávamos como que abrindo caixas de sapatos cheias de fotos antigas, acompanhadas de expressões como "-NOSSA, COMO AQUILO ERA LINDO", "-PUXA, OLHA COMO ISSO ERA LEGAL" e  "- NÃO ACREDITO QUE DESTRUÍRAM ISTO!", no melhor estilo lamuriante cantado pela dupla Nostalgia & Melancolia.



Quando a minha exposição abriu,  foi a segunda vez na nossa história, que conseguimos olhar adiante,
para quando fizermos os 100 anos de vida, em 2034. A inspiração da data quebrada, veio de uma urna lacrada, denominada de "Cápsula do Tempo", semi-exposta em nosso Museu Histórico da UEL, um caixote de ferro com documentos variados em seu interior, à ser aberto, como o próprio nome diz, quando soprarmos as velinhas de nosso primeiro século.

  Um ano depois do impacto percebido, Luiz Penteado Figueira de Mello, brilhante gestor do IPPUL ( que saiu por excesso de qualificações ), me procurou e patrocinou, via ACIL, um conjunto de painéis maiores.



Nada assombroso, como convém aos patrocinios culturais de uma cidade ainda em formação cultural:

Impressãozinha espartana, mas crucial, mera dúzia de banners de vinil no formato A², com aqueles cabos-de-vassoura à guisa de estirantes, o suficiente para iniciar uma Exposição Itinerante, cujo último dia para visitação, já está automaticamene agendado para o próximo Reveillon do ano de... 2033!


Já obtivemos até o momento  mais de 1O.OOO visitantes,  em mais de seis espaços distintos e platéias diversificadas, até mesmo naquelas paredes mal iluminadas sem uso, inúteis, de dezenas de estabelecimentos pés-vermelhos,  os quais sempre tem alguem "sensivel" pra chamar de "Espaço Cultural", normalmente, batizando com o nome da mãe, numa plaquinha dsicretamenrte exibida em um canto...

Sem contar os milhares de  visitantes no blog homônimo, e re-publicações por terceiros em variados portais, com surpresa para a leitura de alguns dos comments (os quais me deixam em sinceras dúvidas, se não seriam estes melhor que o próprio post...), confira por lá, clicando nesse link abaixo:


Eis que, neste ano de 2012, um grupo de arquitetos libaneses do Studio Invisible conceberam um projeto, intitulado Beirut’s Wonder Forest, o qual pretende "solucionar o problema da falta de áreas verdes" em Beirute.

BEI-RU-TE, entenderam?
 

Aquela sistematicamente destroçada capital do Líbano, que em muitos aspectos me lembra a Operação Barbarossa em Leningrado, após a antipática visita em grupo dos Turistas Nazistas, onde só na primeira leva, uns 250.000 soldados da Werhmacht reembarcaram de volta à pátria, direto prôs "Campos do Walhalla" germãnico, se é que não ficaram conservados em neve.

Segue o texto descritivo da proposta libanesa:

"A ideia é transformar os topos dos prédios em jardins, com árvores que se adaptam facilmente ao clima. Elas ficariam presas por fios de aço para evitar acidentes em situações de chuva e ventos fortes.
Segundo os arquitetos, o projeto apresenta uma série de benefícios para a cidade: o ar ficaria mais puro, o ambiente mais saudável, as árvores proveriam sombras e amenizariam o clima quente e seco.

Além disso, os “telhados” dos edifícios seriam transformados em espaço de convivência para seus moradores – o que aumenta a qualidade de vida da população – e os jardins poderiam ser o pontapé para a agricultura urbana, com a criação de pequenas hortas por toda a cidade
".



Claro que, na minha proposta de mais 20 anos atrás (matriz da idéia dos meus colegas libaneses, só prá constar...), o mundo como um todo -e no particular- não vai ficar tão cor-de-rosa, sob céus-de-brigadeiro.

Na verdade, emprobeceremos VIOLENTA E RAPIDAMENTE.

Como tem acontecido desde o Pós-Guerra, agora, com politicos nas mãos de grandes corporações, essas novas velhas formas de Papados & Reinados, uma espécie de Alta Idade Média, sem os adventos dos "Primas Noctes", as quais, pelo que tenho atualizado, evoluíram para algo mais proximo de uma "Omni Bus Todas as Noctes", via impostos escorchantes, tomados bem na tua cara, com devoilutivas raras e minguadas, se considerarmos sermos no hoje a 6a. economia do Planeta Terra.
 

E o nosso mundinho, cada vez mais encolhido e ocupado, dos Pólos à Estratosfera, não ficará cor-de-rosa, em especial, no ano da Londrina em 2034, que foi para onde empurrei as expectativas de cenários, como alguns já perceberam, bastante próximos do inconcebível, dada as atuais mentalidades inoperantes e reinantes, vide a nossa adorável cidade, vítimada pelos seus grotescos cotidianos.
Estas minhas provocações, inspiraram até mesmo as entidades organizadas locais, com "suas" (minhas) visões de futuro intituladas EXATAMENTE com o mesmo título que criei em 2004, mas é claro, sem os devidos créditos, como sói acontecer por estas prósperas e interessantíssimas plagas, além de, "omo que por encanto", arrefecermos os comportamentos nostalgicos e melancólicos, obrigando-nos a repensar, de fato, o futuro ou o que vamos "obter" dele.

Voltando ao tema, o recrudescimento da ocupação das áreas centrais, tornando-se sucessivamente privadas via concessão ( e que ninguém aqui se perca no sobretítulo "pública", vide praças londrinenses, cada vez mais invadidas, até por estacionamentos, desde o fatídico ano de 1995), principalmente, devido à um único "detalhezinho crucial" para a implantação de minha concepção:


Cada unidade conservativa nas coberturas, custaria astronômicos R$2OO,OOO,OO por prédio e, tendo eu morado e me demorado em condominios residenciais, mesmo da Alta Classe Média, não é, garanto-lhes, dinheiro pequeno.

E, até onde sei (e ví e ouví e participei), a grande maioria, malemá separa o seu próprio lixo diário, doméstico, nos conformes e, sem quaisquer trocadilhos, essa maioria gigantesca está pouco "se lixando", para uma tal de Qualidade de Vida.

Muito menos, para o aspecto humano dos Ambientes Urbanos, que depende de nossas existencias, desde que, pelo menos, sua trinca de  "qualidade de vida" esteja plenamente assegurada:


1.) TV funcionando;

2.) Tooodos os dias;
3.) Sem interrupções
.

Se voce duvida, olhe, se não atentamente, superficialmente, aí à sua volta e, depois, me fale.


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22 de mai. de 2011

OSCAR NIEMMEYER, 102 ANOS, VIVO.

 
Não sei se são mesmo dele, essas PÉROLAS DE OSCAR NIEMMEYER (102 ANOS), que ele piou (tweeted).
Até por que, não gosto em quase nada de sua arquitetura cara, suntuosa e mausoléica, pois ele não constrói exatamente: 
Oscar niemmeyer ESCULPE. 
E como escultor, é um genio absoluto.
Entretanto,  gosto muito da pessoa que é o cara. 
Ainda mais, depois dessas escritas (supondo serem autênticas, OF COURSE).

CONFIRA:

- Ganhei um convite para ver o filme da Bruna Surfistinha. Esperava que fosse MESMO um filme sobre surf. Mas o filme é uma apologia ao baixo meretrícios e aos mais baixos instintos humanos.
Pelo menos rolou uns peitinhos.


- Meu médico me proibiu de tomar vinho todos os dias. Sorte que ele não falou nada sobre Smirnoff Ice.


- Fui convidado para ver o pessoal da Comédia em Pé. Só não vou porque minha artrite não deixa ficar em pé muito tempo.


- Esse humor da Zorra Total já era antigo quando eu era criança.


- Linda, eu não vou a museus. Eu CRIO museus. Quer ir Ver uns museus?

- Existem apenas dois segredos para manter a lucidez na minha idade: o primeiro é manter a memória em dia. O segundo eu não me lembro.

• - Ivete Sangalo me encomendou o primeiro trio elétrico de concreto armado do mundo. O pessoal aqui no escritório já apelidou de “Sangalão". A proposta inicial dela era fazer o "Sangalão" de madeira para ficar mais leve. Aí eu disse pra Ivete "Quer de madeira? chama um MARCENEIRO!".
• - Projetar Brasília para os políticos que vocês colocaram lá foi como criar um lindo vaso de flores pra vocês usarem como PINICO.


- Caro Sarney: ser imortal na Academia Brasileira de Letras é mole. Quero ver é tentar ser aqui fora!

- Nunca penso na morte, NUNCA. Vou deixar para pensar nisso quando tiver mais idade

- Perto de mim Justin Bieber ainda é um espermatozóide.

• - Brasília nunca deveria ter sido projetada em forma de avião. O de camburão seria mais adequado.
Na verdade quem projetou Brasília foi Lúcio Costa. Eu fiz uns prédios e avisei que aquela merda não ia dar certo. Sim, ela é aquele avião que não decola NUNCA.
Segundo a NASA, Brasília é inconfundível vista do espaço.

• - Duro admitir, mas atualmente Marcela Temer é o monumento mais comentado de Brasília.


- Todos ficam falando Zé Alencar é isso, Zé Alencar é aquilo. Mas quem fez Pilates e caminhou na praia hoje? EU!

- O frevo foi criado há 104 anos. Ou seja: só tive um ano de sossego desse pessoal pulando de guarda-chuvinha.

- Segredo da Longevidade: Não viva cada dia como se fosse o último. Viva como se fosse o primeiro.

- Na minha idade, a melhor coisa de acordar de madrugada para ir ao banheiro é ter acordado.


- Alguns homens melhoram depois dos 40. E eu mesmo só comecei a me sentir mais gato depois dos 90.

- Queria muito encontrar um emprego vitalício. Só pra garantir o futuro, sabe... Andei Comprando apostilas para Concurso do Banco do Brasil. Não quero viver de arquitetura o resto da vida.


- Foi-se o John Herbert, 81 anos. Essa molecada da área artística se acaba rápido demais.


- Só me arrependo de UMA coisa na vida: de não ter cuidado melhor da minha saúde para poder viver mais.


- São Paulo mostrou ao Brasil como se urbanizar com inteligência: basta fazer o exato contrário do que aconteceu lá.


- Fato: o meu edifício Copan aparece em 50% dos cartões postais de São Paulo. DE NADA.


- A quem interessar possa: eu NÃO estive presente na fundação de São Paulo há 457 anos. Na verdade eu não fui nem convidado.


- A vida é um BBB e eu quero ser o último a sair!

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