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30 de out. de 2009

ASSASSINOS AO VOLANTE





Mais uma cria do egoismo e da prepotencia, dando as caras, em plena luz do dia.

Ao menos, esses temos a chance de sabermos de suas perigosas existencias.

Já não chega um ex-deputado, com a familia publicando acintosos out-doors pela cidade, mostrando o filhote enfaixado, tadinho dele!, numa maca, em como out-doors agradecendo as "orações"... Como é que um filho-da-puta destes pode ter gente orando por ele, é algo que REALMENTE me comove.

Sendo que este acidentado-herdeiro, bebado e ferido por conta de sua própria bebedeira, e infelizmente ainda vivo, assassinou dois jovens, decapitando um dele, no transito urbano de Curitiba, voando com seu Passat Alemão à mais de 150km/h.

Ele estava tão rápido, que o obturador das cameras de vigilancia não conseguiram registrar seu vôo noturno ... Um carro, que significaria prosperidade economica de seu dono, servindo de arma. E das boas.

Agora, mais essa no Vicente Rijo, na Aveninda JK em Londrina, cuja ocorrência não foi mais terrível, por que os alunos estavam em aulas.

Até quando teremos que conviver com assassinos ao volante ?

15 de mar. de 2007

:: ASSUNÇÃO TOCA O CORAÇÃO


Curitiba. Ainda como estudante de arquitetura curtindo o frio de passagem,
quando de súbito nosso anfitrião invoca naquele sotaque de nossa pequena
capital
financiada pelo café do interior, ainda Pré-Lerner em sua paisagem:
´SEGuiiNTÊ, SHOW doz LONDRINiÊÊNSSÊÊZ AMANHiÂ, VÁMOZ ?´

Demorei, como de hábito, em entender de QUAIS ele estava se referindo e,
como se já soubesse QUEM seríam, perguntei-lhe ´´ONDE?´´, devolveu-me
´´AH, VAI SER NO ( sei-lá-eu-onde, não saberia dizer onde fica, mesmo...),
VAI SER LEGAL, ARRIGO BARNABÉ e ITAMAR ASSUNÇÂO, JUNTOS !´´
( Ah! Então, tratavam-se DESSES londrinenses !? Mas... Itamar é Pé-Vermelho ? )

Irrelevante. Na cabeça a tecla play foi apertada num crescendo de Benedito
da Silva Beleléu, vulgo ´NÊGO DITO DA SILVA CASCAVEL´, enxerguei as
´ORQUÍDEAS´, sibilantes e suaves como doces serpentes sedutoras, como
nunca tive a chance de vê-los, juntos, o momento era mesmo o do imperdível.

Moídos de tanto andar (mas estranhamente satisfeitos pelos efeitos que isto
nos causava em nossas pernas e corpos), capotamos à tardinha naquele hmm,
Verão de 17°C e chegamos tarde lá no... Bom, ainda não sei onde era o lugar.

Fila enorme, animadíssima, tinha ao menos umas 25 Tribos Urbanas distintas
e, curioso, teria amigos em qualquer uma delas, sem o menor constrangimento,
sem perceber, num recenseamento enxerguei mais mulheres do que homens.

Cabeça inclinada na bilheteria de vidro, a atendende, bonita e sorridente (como
se tivesse alguém bem legal esperando-a prá dar-lhe uns beijões dos grandes) ,
informa-nos algo decepcionada, quase em vergonha: ´Ó: Só sentado no chão´.

Olhei prá trás num ´´E AÍ?´´, aprovamos, nos esprememos um pouco e assim
entramos, mas o engraçado aconteceu: Só tinha um único lugar bem no Apara-
Cuspe, ( formerly The First Row Seat... ) e o tal ´´no chão´´... Bom, era NO PALCO !

Modo de dizer, pois o mesmo tinha dois palmos de altura, intimista mesmo, tipo
Pré Acústico MTV, fiquei muito envergonhado, meu amigo falou ´SENTAÍ!´ rindo
e assim que ( digamos dessa forma ) me sentei, com as pernas voltadas para o
público e o corpo retorcido na espinha à direita prá ver, os dois caras começaram.

Apagaram as luzes e acenderam as do palco e, PQP!, um dos focos, um maldito
spot, estava bem no meio da minha cara, prôs 99,99% dos presentes, era ÓBVIO
que eu fazia parte da BAGAÇA, mas eu, congelado como CONCRETO, i-mu-tá-vel.

Queria olhar de soslaio prô meu amigo, à uns 2 metros dalí, mas tive medo de me
arrebentar em gargalhadas, misto de mal-estar e sensação de absurda impotência,
Arrigo senta-se numa cadeira ao lado de Itamar, como guiando uma, sei lá, Kombi.

Barnabé: ´´ITAMAR JÁ ESTAMOS CHEGANDO EM LONDRINA !´´
Assunção: ´´ARRIGO QUE BOM A BOA E NOVA LONDRINA !´´
Barnabé:´´SIM ITAMAR AGORA UMA VELHA E BOA SENHORA !´´
Assunção: ´´SENHORA DE PERNAS ABERTAS NÃO ARRIGO ?´´

Ou algo assim, a casa rachou, nunca rí tanto, todas as pessoas se mexiam em suas
poltronas, balançavam as cabeças, re-iniciavam gargalhadas, um fuzuê DAQUELES,
relaxei um pouco mais, passei a me sentir um mínimo mais invisível e... por aí fomos.

Assunção: ´´Êh ? ... HOJE EU ESTOU FOR-MAL... ( risos )

No auge Itamar inicia o declame duma de suas músicas, fala de algo do coração,
um coração que bate e pergunta prá todos se os corações de todos batem, alguns
respondem tímidos SIM outros preferiram BATE os mais fervidos O MEU BATE,
insiste e re-pergunta num tom de voz mais alto, quase imperativo, respostas idem,
então foi tocando corações de cada um de seus Músicos e das Belas Vocalistas.

Ele abaixa a voz grave e inconfundível e, prá meu mais absoluto terror existencial,
se aproxima de mim sem o menor constrangimento, eu ainda de espinha torcida
e mais à direita do palco, defronte o tal único lugar vago, ocupado pelo meu amigo.

Itamar toca o próprio peito, microfone à mão: O MEU CORAÇÃO BATE o punho
fechado imitando o próprio, pulsante, ajoelha-se ou abaixa-se diante de mim, não
me lembro, parei de ouvir o mundo, só enxergava por um túnel silencioso o Itamar.

´´SEU CORAÇÃO BATE?´´ e aproximou o microfone com fio da minha previsível
fala, tocando-me o peito em meu coração, com o seu coração na mão, pulsando,
seu coração de mão pulsando em cima do meu coração pulsando concordei: "Ô!"

A casa caiu de novo, Itamar sorri abrindo faróis brancos como se dentes fossem,
sem sair do lugar, o pulso foi diminuindo, a mão defronte ao seu pulso foi assim
diminuindo, o pulso que era seu coração diminuindo, o meu coração em sua mão...

Apagaram-se as luzes, era final do show, PQP!, do nada vieram umas GATAS me
cumprimentar, o que eu fazia, se eu viajava com eles, onde estava hospedado, não,
elas nunca me acontecerem, eu é que estava rindo por dentro, rindo muito mesmo !

Burburinho da saída ( como somos primatas barulhentos e sociáveis! ) quis meu
olhar, ter o que quis o acaso, de cruzar com o olhar sorridente de uma japonesa,
mas não era uma, hmmm, japonesa qualquer. Era... bom, não sei, era uma mulher!

( De fato, nem exatamente uma ´japonesa´ era, aliás, ela era tão japonesa quanto eu um legítimo
Escocês HighLander, me olhava através de meus olhos, sorria só com o seu olhar, divertindo-me.
)

Ela nem era dalí: São daquelas musas que fluem macío em
Londrina e Maringá,
doces brasileiras que te causam dores excruciantes só em vê-las, elas são quase
imperceptíveis e invisíveis para aqueles brindados pelos caprichos da história e da
geografia mais os ascendentes do Kasato Maru, uma dor desejável e
assimilável.

No foyeur, discos em vinil do Itamar com sua banda Isca de Polícia, raridades fora
de catálogo e Arrigo com sua Ópera Reptiliana, abelhas no puro mel,
os CD´s só
seriam uma realidade dalí a uns 10 anos, mas, sei lá, meu bolso estava vazio, acho.

Já à rua, saímos na garôa, expostos ao desonesto frío rajante do Primeiro Planalto,
olhei prá trás por puro instinto e encontrei de nôvo e não mais ao acaso o olhar da
japonesa sorrindo com os seus olhos, meu coração ainda pulsando em minha mão...

´´Seu coração, também bate?´´ Quis perguntar assim prá ela, mas...

CS-C
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