18 de jul. de 2010

Elektroschutz in 132 Bildern, By Herr Doktor Stefan Jellinek


Eis que a gloriosa piauí, reservou algumas de suas esquinas para reproduzir os magníficos templates (hoje, os chamaríamos de "infográficos") compilados pelo austríaco Herr Doktor Stefan Jellinek, num assombroso ano de 1931, sobre os riscos LETAIS que a novidade do século impunha aos seus contemporãneos.


A obra médico-tecno-didática, intitula-se "Eletrocução em 132 Imagens" (Elektroschutz in 132 Bildern) e tem um quê de Bauhaus Istáile, somado com Graffitti-Feito-Por-Algum-Designer-Moderno, mas seus autores são os também austríacos Josef Danilowatz, Franz Wacik, and Eduard Stella, os designers de então (e antanho...).


Aqui tem 30 destes templates, reproduzidos no Flickr, pelo irado Bre Pettits.O que me deixou feliz, é que no ano passado, eu estava garimpando esses infográficos fantásticos e, êi-los, re-impressos em discreto destaque, para deleite dos brasileiros e "piauenses".


( Aliás, já estou meio que craneando uma matriz com essas poderosíssimas citações gráficas, com algumas, diguemos assim, actualizaçõens...)


O interessante da extensa e meticulosíssima série gráfica, era a conscientização de uma etapa crucial da rápida (e recente) evolução humana, saindo de uma vida majoritariamente rural e entrando em definitivo para a existencia urbana, subentenda-se, MÁQUINAS e, especialmente, as ELÉTRICAS.


MUITO IMPORTANTE: Não esqueçamos jamais do contexto da esfuziante e abusada Década de 3O:

O estilo vigente, era ninguém menos que o Art Déco, que personificou como nunca a já acontecida Revolução Industrial, quase que enterrando o romantismo bucólico do período imediatamente anterior (Art Noveau, que muitos ainda se confundem com o Déco), uma época de vida urbana quase desenfreada, riquíssima e extremamente fértil, fosse na Arquitetura, no Desenho Industrial ou nas Artes Gráficas.


Toda uma Era (estilo e Zeit-Geist, inclusos), será bárbaramente sepultada com a eclosão da Guerra, onde o seu próximo e derradeiro conflito, a IIa. Guerra Mundial, já anda sendo considerada como um latente efeito colateral -e apavorantemente grandioso- da Primeira.


Outra curiosidade "urgente" dessa série de "advertências do invisível", é que as ilustrações, potentes e sintéticas como um mapa turístico, mostram, de bebês à garotas, de senhores aposentados em casa à motorneiros conduzindo bondes, de vacas rurais à ratos urbanizados, de telefonistas à mulheres núas em banheiras esmaltadas , incluindo um moleque mijando de cima de uma ponte, sobre os fíos de uma catenária ferroviária transportando 3.000 volts.



Todos os personagens, sem excessão, registrados alguns segundos, antes do advento de suas próprias mortes.

Sim, isso mesmo.


A série, não era uma invenção ou exagêro prá meter medo em incautos, mas sim, reprodução fiel da vida (no caso, da morte), baseada em estudos e compilações de ocorrências fatais reais, ainda "comuns", devido à novidade tecnológica, de resto, uma que havia chegado prá ficar prá sempre entre nós, os humanos e que o médico austríaco trabalhou com afinco em cima do tema e da "novidade", evitando mortes provavelmente seriais.

Brrrrr!!!!
Tirando a morbidez (pois ao contrário que muitos pensam, pessoas eletrocutadas podem ser perfeitamente ressucitadas), para nós, do hoje-me-dia, essa magnífica coleção de imagens paradidáticas, com a senha da fila da autópsia nas mãos, funciona agora como um poderosíssimo icone gráfico.

Um tipo de design das Artes Visuais, do qual não se vê mais e que anda fazendo muita, muuuita falta, nas já ultra-entulhadas urbes contemporâneas.

De minha parte, como dito acima, vou providenciar, sim, uns graffittis.

Ah, vou!

14 de mai. de 2010

SPAM: 30 ANOS!

O que é esse tal de SPAM?

Hoje, todo mundo sabe: São aquelas correspondencias DESGRAÇADAS que entulham a caixa postal de qualquer ser vivente, odiado por 20 em cada 10 donos de contas no Thunderbird.

(Ía até citar aquele outro programa de e-mail, mas é puro SPAM...)

Curiosamente, SPAM é marca fantasia da Hormel Foods.

É uma indústria inglesa de enlatados de carne, cujo similar nacional seria o "saudoso" KITUT DE BOI ou PRESUNTADA da Swift, de tempos idos.

Uma, digamos, "carne" em lata cujo modo de abrir a tampa, com uma chave engastada no lacre, era responsável por verdadeiras carnificinas domésticas, seguidas de hemorragias pornográficas, dignas de filmes "B".
O termo surgiu da cabeça do hilário ("hilário" aqui, sub-entenda-se "humor inglês", do qual eu e mais meia dúzia curtem... e olhem lá!) grupo Monthy Python Flying Circus, em uma esquete onde Vikings clamam pelo tal SPAM, um pouco como presidiários batendo canecas à mesa e pedindo comida em uníssono.
A esquete veio ao mundo em um longínquo 1970 e o fabricante do junk food inglês, mesmo apreensivo de ver sua marca associada à algo tão odioso, acabou aproveitando a estratégia de citações universais gratuitas, incorporando ao seu marketing.
Inclusive, o SPAM foi relançado, agora, com a adição do termo "CLASSIC" ao nome, indicando... Ahn.... Indicando sei lá eu o que...
Em casa, comi alguns Kituts de Boi e de Porco, da Swift-Armor e, sim, cortei meus dedos algumas vezes. Até o dia que minha mãe, meio que citando o Chanceler Hindenburg, me perguntou se eu saberia dizer do que aquela gororoba deliciosa era feita.

Respondi que nao, surpreso, pois também emendei um:

-"UÉ, ISSO NÃO É PRESUNTADA?"
No que Dona Yara Sylvia Steagall, especulou: 

"-Olha, do jeito que essas indústrias alimentícias são, isso aí é feito com restos de Fetos, de Chifres, de Beiços, de Placentas, de Olhos, de Rabos, de Orelhas e de Couros de Bois, tudo muito aromatizado, bastante colorido e muitíssimo bem enlatado...".

Vomitar, não, não dava mais, já era muito tarde demais.

Mas parar?

Foi ali mesmo.

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- SPAM, SPAM, SPAM, SPAM, SPAM, SPAM!!!

27 de abr. de 2010

THE SKY CRAWLERS: Fasten Seat Belts!

Tudo bem, vai?

Na superfície, trata-se de mais uma história de guerra, bem daquelas do tipo "VOULÁS ...X... VAITEMBORAS".

Mas, quando se trata de um animê, as coisas, literalmente, mudam de figura.

 A argumentação, nessa obra-prima, está bem próxima do impecável.

Num Japão estanhamente ambíguo, bizarramente ultra-master norte-americanizado (como o Japão o é, no hoje, mas nesse filme aqui, ele se encontra em uma escala potencializada por umas 50X...) meninotes e moçinhas -ainda impúberes- são pilotos de elegantes e mortíferos caças.

 As aeronaves monopostos atendem pelo codinome Samka Mk. B, propelidos graças à um poderoso motor radial, queimando pura gasolina, conectado à enormes e clássicas hélices tripás duplas, contra-rotativas, evidentemente baseado no Shinden, onde cabe um Wikipedia providencial:

The Kyūshū J7W1 Shinden (震電, "Magnificent Lightning") fighter was a World War II Japanese propeller-driven aircraft prototype that was built in a canard design. The wings were attached to the tail section and stabilizers were on the front. The propeller was also in the rear, in a pusher configuration. It was expected to be a highly maneuverable interceptor, but only two were finished before the end of war. Plans were also drawn up for a jet-powered version (J7W2 Shinden-Kai),[2] but this never left the drawing board. The J designation was used by land based fighters of the Imperial Japanese Navy and the W is for Watanabe, the company awarded the contract (though the factory changed its name in 1943 to Kyūshū).

Achou esta pequena descrição anterior meio que, digamos "nerd"?

Então, afivele-se aí nos teus cintos de seguranca, bobinho...
 A história nos conta das rotinas de um restrito grupo de jovens adolescentes, em úmero suficiente para a formação de uma feroz e implacável patrulha aérea de quatro caças a helice.
São áses recém-contratados e pinçados sistematicamente pela "Companhia", ainda contando apenas com seus treinamentos prévios de vôo dos quais, enfim, chegam às instalações da "Base" relativamente distante do vilarejo mais próximo, este, eventualmente, servindo como um lugar para as folgas ocasionais, já que os pilotos são todos "estrangeiros" em sua propria terra.
A Base, trata-se de um misto de escritórios e posto bélico avançado da Companhia, contando com o Aeródromo em sí, os Hangares com Brigadas de Incendio e Salvatagem, as Oficinas, estas, comandadas por uma curiosa mulher mecãnica (de cabelos brancos, a única "idosa" do filme e a que reúne toda a história pregressa, tanto do lugar, quanto do empreendimento).
Além dos Dormitórios de amplos quartos equipados com Beliches, Chuveiros, um Refeitório-Cantina de uso comum e um Salão de Jogos, com a indefectível mesa de snooker e o alvo de dardos à parede, como se lembrando que a pontaría, é o pré-requisito fundamental e motivo maior de todos estarem alí, reunidos.
Os recém-chegados, juntam-se sem muitas mesuras aos Veteranos, estes, igualmente jovens e estranhamente quietos, para suas primeiras missões, onde os diálogos paralelos vão se sucedendo e te envolvendo no desenrolar da trama num crescendo, graças às inserções de lembranças poderosas as quais, à princípio, parecem não fazer muito sentido, como costumam ser, aliás, as lembranças.
Os Novatos, chamados de "Kildrens", rapidamente tomam conhecimento das atitudes e da forte personalidade de sua Jovem Comandante, igualmente, uma piloto como todos eles, com a diferença que ela esconde um segredo inconcebível, além de contar com várias milhagens adicionais e muitas vitórias acumuladas em seu extenso -e letal- curriculum, sem contar a sua pistola 9mm, sempre semi-engatilhada no coldre.
A MISSÃO:  Enfrentar o inimigo aéreo, cada vez mais próximo, no caso, à bordo de potentes aviões pilotados por seus contra-atacantes,  àses igualmente corajosos e armados, isto, quando não tem pela frente o enfrentamento da esquadra completa da Companhia "concorrente", rugindo ferozmente acima de suas cabeças.
Dentre esses pilotos inimigos, um misterioso às é o líder mortal da esquadra em seu velocíssimo caça reluzente, com os Kildrens ouvindo a lenda recorrente que se trata de um Adulto, sendo raramente identificado com a insíginia de um Jaguar Negro na fuselagem, eles mesmos, funcionários exatamente como aqueles que estão à combater até a morte, um pouco no estilo "antes ele, do que eu", no dilema enfrentado pelos pilotos recém-adolescentes.
Essas duas companhias rivais, aparentemente, defendem do ar os territórios físicos e os negócios bilionários em terra, contratados por terceiros (uma metáfora da Guerra do Futuro?), com direito à logomarcas distintas, equipamentos com patentes exclusivas, designs, configurações próprias e, muito provavelmente, uma "Missão da Empresa" bastante particular, a qual faria corar muita multinacional moderna.
Afinal de contas, deter a supremacia tecnológica no ar, em termos bélicos, somado à bons combatentes e pessoal de terra absolutamente confiável, também conta numa desejável vitória ou conquista.
Algumas das ameaças aéreas, são pré-identificadas e detectadas à tempo, graças um poderoso sistema de radares terrestres, que coloca a esquadra atacada dos Kildrens em alerta máximo, prontamente decolando ao soar dos alarmes na Base.
Kildrens, Kildrens...

Mais ambiguidade, com pitadas de androginia?

Impossível...

Tratam-se exatamante da junção de Kids, com Childrens...
Algumas vezes, um Bombardeiro inimigo atravessa o dossel de antenas rastreadoras e consegue invadir as áreas geográficas próximas, cujas batalhas destrutivas e contra-ataques aéreos, épicos e definitivos, são acompanhadas pela população em terra .
Esta população, aparentemente, segue sua vida diaria em rotinas, sem nutrir muito interesse nos feitos aereos, quase que não fazendo muito sentido, se uma ou outra campanhia vencer, tudo assistido em tempo real, com imagens diretas dos céus da batalha, através dos noticiários das TV´s locais.
Da animação, ressalta-se a quase inacreditável resolução da tela e os enquadramentos da imagens, praticamente, com uma camera montada no cockpit do piloto, como aliás, várias dessas cameras reais à bordo, documentaram os mergulhos de ataque, metralha e bombardeamento dos caças durante os conflitos aéreos da Segunda Guerra Mundial, desde sempre, um tema e tanto.
Incluindo nas variadas sequencias mortíferas, o espatifar do inimigo em fuga desesperada adiante, retalhado em jatos infindaveis de balas tracejantes cujos rastros de luz, não deixavam dúvidas do imenso poderío de fogo à bordo das potentes metralhadoras gêmeas .50mm, instaladas nas asas e capazes de perfurarem facilmente um oponente, nao importando o seu tamanho, escala, armamento a bordo ou sua velocidade (ou tentativa...) de escape.
Morrer, para os Kildrens de The Sky Crawlers, é absolutamente natural.

Mais do que isso, é previsível.
Ossos do ofício, trata-se apenas de uma eventual consequencia de uma missão,  em muito similar à ética dos Kamikazes e seus Mitsubishis A6-M Zero da 2a. Guerra Mundial, tendo o gigantesco Oceano Pacífico como teatro de operações, voando com gasolina o bastante em seus tanques enormes, para que jamais retornassem aos Porta-Aviões de onde os pilotos decolaram, detalhe que evitaría o surgimento de pilotos em dúvidas, já que a opção de escolha, era, exatamente uma unica:
Nenhuma.
Na Guerra Aérea Japonesa, a guerra real, o Imperador-Deus e a Pátria, eram os reverenciados.

Neste The Sky Crawlers, o Comandante e a Companhia, é que são os reais considerados.
Os personagens, até mesmo o simpático dono do Pub no Vilarejo, são surpreendentemente introspectivos.

Os Kildrens, fumam adoidado, praticamente acendendo o próximo cigarro na ponta da bituca recém fumada até o filtro, não sem antes,  ser descartada no piso, discretamente pisoteada e apagada com um giro do coturno, extinguindo-a.

Alias, exatamente como e a vida.
Os pilotos, por vezes, elaboram perguntas desconcertantes, seguidas por questionamentos implacáveis.

Descobrem, por vontade ou por acaso ou são expostos à segredos íntimos devastadores ...

Se vêem calmamente apaixonados por outrem, em amores dos quais, senão impossíveis, com certeza absoluta, impraticáveis no contexto em que sobre-vivem.
Aparentemente, nada temem, nem à ninguém (exceto, talvez, à rígida hierarquia e sua missão fundamentalista) pois, sabendo-se de seu Destino previamente, o que há, de fato, para se temer?

Os Cíclopes, eram homens comuns, até terem se tornado criaturas reclusas, taciturnas e introspectivas, por que deram um de seus próprios olhos para obterem, em troca, a informação capital da existência, de resto, negada à qualquer vivente, desde sempre:

O dia e a hora exatas de suas mortes.
Assistindo ao eletrizante filme de 120 minutos (que se parecem 180!), tenho até um pouco de dó, desses moleques do hoje, que vão definir um The Sky Crawlers, no mínimo, como "sonolento demais, tío..."

Mas esse filme, defintivamente, não é destinado aos moleques.
 De fato, não é nem mesmo um filme para todos os adultos.

Ao menos, não, na grande maioria dos quais conheço, incluindo a sua sinsitra trilha sonora.

Sem contar as sutilezas de suas sub-narrativas, desarmando o mais feroz dos críticos insensíveis.
E olhe que assisti a este filme, por puro acaso...
... trocando de canais na TV a cabo e dando de cara com um tal "CAIRN" impresso no capacete de um óbvio piloto de guerra clássico, máscaras de oxigenio incluidas, em plena grade vespertina do calendaario de atracoes do canal Home Box Office (HBO).
Por varios instantes, achei até que, o que eu estava assistindo, era um filme em pelicula de 70mm!

Meu queixo caiu no chao, quando percebi que era um magnífico, raro e desconcertante "desenho animado".
The Sky Crawlers, de Hiroshi Mori, é cinema grandioso -dos bons- descrito com "c" maiúsculo.
No desfecho absolutamente espetacular, a satisfação quase agonizante de entretenimento entregue em estado puro, garantido por uma altíssima carga emocional de memórias, humanidades e dúvidas.

E, espero, uma possível continuidade da franquia, já que o título é uma clássica série de quadrinhos em animê que andou sendo publicada por anos seguidos no Japao.
Um filme que, quando acaba na subida dos muitos e numerosos créditos na tela, ja te deixa num absoluto silencio.

O horror, o horror, para todos nós, os pobres, os semi-infantilizados e os barulhentos Latinos-Americanos.
Prá quem não entender nada nem coisa alguma deste filme, sem maiores preocupações adicionais, por favor:



Tem sempre alguma merda, novinha, vaporosa e fresquinha em cartaz em algum Near Movie Theater!

Com aquela carga massiva destes pseudo-atores , tais como um abobalhado Ben Affleck ...

... um repetitivo Adam Sendler ...

... e um fraquíssimo Ben Stiller, todos te esperando às bilheterias e nos assentos, um verdadeiro chute no meio das bolas, prá quem ainda pensa, ainda que em doses mínimas...

Leve também um rolo dse  papel higiênico e aproveita prá atender o telefone celular ultimo tipo, bem no meio da narrativa do filme, dentro da sala escura.

Ou então, acorde para o seu tempo disponivel cada vez mais raro e in/disponivel de entretenimento pessoal e consuma -ou tente consumir- o que há de melhor, mas afeito só prá quem conseguiu cultivar o seu próprio senso crítico, em estado mínimo.



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14 de abr. de 2010

KOMBINATIONWAGEN: 60 ANOS!


Neste 2010, a Kombi, nascida "KOMBINATIONWAGEN" (algo como "carro combinado" em, é lógico, inglês, traduzido do alemão) faz 60 anos e a Volkswagen do Brasil Ltda. preparou um concurso, chamado, é lógico, de "KOMBI, 60 ANOS DE BRASIL".

Adorei a oportunidade em poder contar uma história verídica, que passei dentro de uma Kombi, passeando à beira mar, numa tardinha gelada de Outono.

Á bordo, a menina, a vizinha da casa de praia, que me convidou para este passeio e, lá na frente da Kombi, dentro daquele verdadeiro salão-de-visitas com rodas, os pais da menina, vizinha da casa de praia que me convidou para estar com ela, passeando à beira mar, numa tardinha gelada de Outono.

Com essa minha história, vou ganhar uma Kombi 0km ano 2010, na cor branco sólido, com acessórios, no valor de R$5O.OOO,OO!

Acharei M-U-I-T-O divertídissimo recebê-la bem lá na frente da garagem de minha casa, ainda em obras, mas... mesmo achando o veículo muito peculiar...

...creio que a passarei nos cobres, pois preciso me mudar logo, justamente, para essa casa ainda em obras, onde a VW vai me entregar essa Kombosa... ;)

O resultado da "minha premiação" (Hehehehe... Torcer, é de grátis!) sairá no próximo dia 20/MAIO. Estou na expectativa, miúdinha, mas estou sim!

(Será que consigo trocá-la em um VW NewBeetle Verde Claro? Eu é que não fico bem numa Kombinationwagen, apesar de ter ouvido de uma mulher, a tempos, que eu "fico bem em qualquer carro"... Inclusive Camburões, Ambulâncias e Rabecões, Dona Moça?)

Mas, como minha narrativa foi meio que, digamos, juvenil, quem hoje em dia, ligaria prá amores e prás dores, de um menino contando seus 10 ou 11 anos, em um tema de concurso desse calibre?

Pelo menos, me diverti muito me lembrando da história da menina filha de um casal de portugueses, donos de padaria e que moravam em São Bernardo do Campo, a cidade colada à SP e que eu só sabia de sua existencia, por causa da própria Volkswagen "do Brasil".

CURIOSIDADES DA VW KOMBI:

  • 1. Em 2 de setembro de 1957, a Kombi era lançada no Brasil. Antes dela, só eram fabricados no país DKW Vemaguet, Ford F-100 e Jeep Willys.
  • 2. Já era vendida no Brasil em 1950 pela Brasmotor, apenas montada no Brasil. Moderníssima, havia estreado na Alemanha em 8 de março de 1949.
  • 3. Em 1957, seu índice de nacionalização era de 50%, quando a lei exigia 40% para ser um veículo brasileiro. Em 1961, o índice era 95%.
  • 4. É o único modelo nacional que ainda possui quebra- vento, maçanetas de gatilho, pára-choque de metal e câmbio manual de quatro marchas.
  • 5. Último nacional com carburador, ganhou injeção eletrônica em 1997 devido à legislação ambiental. Foi o último veículo do mundo a sair de linha com motor a ar, em 23 de dezembro de 2006.
  • 6. Refrigeração a água não é coisa nova na Kombi, que ganhou a tecnologia na versão a diesel, produzida entre 1981 e 1985.
  • 7. A versão se tornou um fracasso devido principalmente a problemas de refrigeração. Alguns donos descobriram que, usando mais etilenoglicol no líquido de arrefecimento, ela não dava problemas.
  • 8. No mundo, ela teve cinco gerações. O Brasil fabrica a segunda, aposentada na Alemanha em 1979.
  • 9. Em 1976, ganhou nova dianteira na carroceria antiga. O restante só mudou em 1997.
  • 10. No projeto, passageiros e carga ficam ou sobre ou entre os eixos. Esse conceito só mudou em 1989 com a quarta geração, com motor dianteiro.
  • 11. Nos anos 60, uma propaganda brasileira dizia que ela podia levar até 12 pessoas - três a mais que a capacidade homologada. Oficialmente, 12 pessoas só puderam se sentar na versão Lotação de 1999, com quatro fileiras de bancos.
  • 12. A primeira Kombi nacional podia carregar 810 quilos. Com as melhorias de motor, desde 1976 passou a levar 1 tonelada de carga.
  • 13. Os motoristas de lotação em Pernambuco são chamados de kombeiros. O termo é usado até em textos oficiais do Ministério Público local.
  • 14. Kombi e lotação sempre andaram juntas. Em 1958, circulavam 15 delas em Teresina (PI).
  • 15. Em 1960 surgiu a versão de seis portas. A configuração deveu-se à exigência paulistana para homologá-la como táxi, o que incluiu ainda estribos.
  • 16. Ela ganhou apelidos como Pão de Forma e Pão Pullman, por seu formato retangular.
  • 17. O modelo tinha status de veículo familiar, como mostrou a capa da nossa edição no 7, de fevereiro de 1961. O casal da foto eram os atores John Herbert e Eva Wilma, com os filhos Júnior e Vivian.
  • 18. O motor refrigerado a ar se foi, mas ela continua sendo o único Volkswagen com motor traseiro. Aliás, o motor a ar será produzido no Brasil até 2015, visando o mercado de reposição
  • 19. A linha de montagem fica em São Bernardo do Campo (SP) - onde é feita desde a estréia - e é a única que não conta com nenhum robô. O processo é manual, comandado por 95 funcionários.
  • 20. O total de peças de uma Kombi Standard é de 4 620.
  • 21. A Kombi já foi escritório móvel de órgãos públicos, ambulância, consultório dentário, consultório médico, radiopatrulha e até carro funerário.
  • 22. Até os campistas foram contemplados, com a Kombi Turismo, feita de 1960 a 1962. Outras duas couberam à Karmann Ghia, que fez os motorhomes Touring e Safari, este descontinuado em 1995.
  • 23. Até julho deste ano foram produzidas no Brasil 1 385 682 unidades. Só perde para o Fusca, com 3,3 milhões, e para o Gol, com quase 5 milhões.
  • 24. É o 24º modelo mais vendido do mercado (ranking de julho), com 2 103 unidades. Está à frente de Vectra, Palio Weekend, Parati e Astra Hatch.
  • 25. É o único veículo de série do Brasil que já teve todas as configurações de combustível possíveis pela lei: só a gasolina, só a álcool, diesel e flex. Teve até uma opção GNV homologada pela VW.
  • 26. Nos anos 90, os incêndios tornaram-se freqüentes. Culpa da falta de manutenção, mas também ajudava o fato de o filtro de combustível ficar muito próximo ao distribuidor. Com a mudança de geração em 1997, foi possível afastar as duas peças.
  • 27. Nos anos 70 e 80, ela era um dos veículos preferidos para uso em estradas de terra. Valia-se dos 24 centímetros de altura livre do solo e do motor traseiro, que melhorava a tração em subidas.
  • 28. Pensando num uso mais off-road, entre 1970 e 1972, ela ganhou o diferencial travante, acionado por uma alavanca na base do banco - opcional que nunca fez sucesso.
  • 29. Na edição de julho de 1970, QUATRO RODAS fez um comparativo com Toyota Bandeirante e Rural Willys. A Kombi foi eleita a melhor no transporte de carga e na travessia de trechos alagados.
  • 30. Em opções de carroceria, os anos 80 foram o auge: furgão, transporte fechado de passageiros, picape cabine simples e cabine dupla.
  • 31. Hoje ela só é exportada para um país. A Danbury Motorcaravans, empresa de trailers e motorhomes da Inglaterra, compra algumas para convertê- las a campistas, com os nomes Rio e Diamond e a devida mudança de volante para a direita, claro.
  • 32. Já foi produzida aqui Kombi com volante à direita, destinada a países pobres que usam a mão-inglesa, como a Jamaica. Nesse caso, as portas laterais traseiras eram deslocadas para a esquerda.
  • 33. Em 1996, o México desativou sua linha de produção e deixou o Brasil como único fabricante de Kombi no mundo.
  • 34. Até 1975, o vidro da porta era formado por duas peças corrediças e havia um captador de ar no teto. De 1976 em diante, a grade de ventilação passou a ficar entre os piscas e o vidro tornou-se inteiriço e descia por manivela, como é até hoje.
  • 35. A idéia da Kombi veio da Holanda, quando Ben Pon, dono de uma autorizada da VW, teve a idéia ao visitar Wolfsburg e ver veículos de uso interno feitos para carregar peças na fábrica.
  • 36. O paulistano Euclides Pinheiro treinou 12 dias para andar em duas rodas numa Kombi, atração que incluía um equilibrista plantando bananeira.
  • 37. Nomes no mundo: Bulli (Alemanha), Pão-deforma (Portugal), Combi (México), Kleinbus (Finlândia), Bus (Estados Unidos) e Papuga (Polônia).
  • 38. O primeiro teste da Kombi na QUATRO RODAS foi publicado em janeiro de 1963. O modelo Luxo 1962 tinha um motor de 1 192 cm3 de 32 cv a 3 700 rpm e 7,7 mkgf a 2 000 rpm.
  • 39. No teste de estréia, ela cravou 93 km/h de velocidade máxima e acelerou de 0 a 80 km/h em 27,8 segundos. Seu consumo em "situação de rush" era de 7,5 km/l sem carga e 6,8 km/l carregada.
  • 40. De 1957 a 1986, ela ganhou a versão Luxo, com pintura em duas cores (saia-e-blusa), com direito a forro completo no teto. Entre 1997 e 1999, foi a vez da Carat, que tinha bancos de veludo.
  • 41. Segundo a VW, a legislação brasileira não exige que a Kombi passe por crash-test, mas esses testes são feitos para avaliar o comportamento do veículo e pontos de ancoragem de bancos e cintos.
  • 42. Ela já foi exportada para o México com motor AP-1800. Por aqui o motor 1.4 da família EA- 111 levou a melhor pelo menor torque, que permitiu aproveitar a mesma caixa de câmbio de hoje.
  • 43. No Brasil, a Kombi é o único VW a usar o motor EA-111 na versão 1.4 - só o Fox de exportação usa essa mesma cilindrada. O restante dos modelos vendidos aqui usa o 1.0 ou o 1.6.
  • 44. Nos EUA, um V8 foi colocado em uma velha Kombi 1959, em posição central. Na Suíça, uma carroceria da primeira geração, alargada com plataforma da terceira, foi equipada com motor e câmbio Porsche, herdados de um 911 GT3 refrigerado a ar.
  • 45. Kombi é a abreviação do alemão Kombinationfarhzeug ("veículo de uso combinado").
  • 46. Sua montagem manual leva quatro horas. Um Fox, cuja linha de montagem é maciçamente automatizada, demora o dobro do tempo.
  • 47. Um grupo de idosos de Mauá, na Grande São Paulo, fez de uma Kombi 1966 a sede do seu clube. A turma da terceira idade se reúne dentro de veículo para jogar truco, tocar violão ou fazer tricô.
  • 48. É o único modelo nacional que não tem ar e direção hidráulica - nem como opcional.
  • 49. O desembaçador traseiro é único opcional da Kombi Standard. Na versão Furgão, é o banco inteiriço para três pessoas, em lugar dos individuais.
  • 50. Em 50 anos de vida, a Volkswagen nunca colocou o nome Kombi em sua carroceria, com uma única exceção: a série especial Prata (2006), com 200 unidades, comemorativa do fim da produção do motor refrigerado a ar.

18 de mar. de 2010

EU E A POLÍCIA (I)


Experiencias pessoais e intransferíveis são, como o nome composto parece querer urrar em nossos ouvidos, experiencias pessoais e intranseríveis.

Não fosse a quase terrível habilidade humana em mimetizar a realidade, inventando o imitador, teatro, o ator e o cinema (ou o perfil falso na internet, na "atualidade"...), com certeza, a experiencia da existencia não teria como ser tão multipla, reconhecivel ou rejeitada.

Alguém e a Polícia, por exemplo.

Algumas pinturas e inscrições ruprestes pré-históricas, puderam ser definidas por especialistas como uma pessoa que teria sido furtada, com essa mesma pessoa chamando por alguém que poderia ser definida como uma espécie de "polícia" da época.

Senão a polícia como a conhecemos no hoje, COM CERTEZA ABSOLUTA, era o embrião do que hoje chamamos como tal, como alias, ocorre me tudo das coisas que conhecemos, apenas, mais, digamos, "evoluídas".

A propria gíria paulistana MEGANHA ("me ganha"...), tem correlata até entre os Inuits, que usam um termo para definir o tipo policial: Seria algo como "aquele um, que tira a sua liberdade".

Meu primeiro encontro com a Polícia, no caso, a Militar, deu-se em minha própria casa na Vila Romana em São Paulo, um mini-bairro residencial delicioso de minha adolescencia, fundando para funcionários qualificados de uma companhia telefonica inglêsa por volta de 1940.

A Vila Romana era atendida pelo 7° Distrito Policial, onde fui tirar meu RG para poder viajar jogando pelo GEGEDEC, onde tinha até uma pequena cela, onde um dia fui ao seu pátio na parte lateral, lá resgatar minha Yamaha RD75 vermelha, apreendida em um pequeno acidente de transito local.

Mas o meu primeiro contato com a Policia, deu-se de modo.... estranho.

Só quem teve a casa pré-invadida durante a ausencia da familia que a ocupa, onde essa mesma familia chega para abrí-la e encontrar TODO O SEU CONTEÚDO VASCULHADO, pode TENTAR descrever a sensação, pessoal e instransferível, lembre-se.

Fracassando nessa tentativa "sensacional", póde-se descrever, ao menos, o cenário "pós Bomba H de Nagazaki".

É bizarro, prá dizer o mínimo. O andar dessa família pelos cômodos revirados, é feito sempre num tumular silêncio. Com meus 12 anos, sabia que algo MUITO GRAVE tinha se dado por alí, mas voce não cosnegue definir muito bem o quê.

Aparentemente, nada havia escapado da sanha vasculhatória do invasor. O que ele exatamente buscava? Dolares norte-americanos empilhados em maços? Jóias? Relógios de Pulso? Cofre oculto?

Dólares, de fato, haviam.

De minha posse, dois deles, ganhos de minha avó, Marietta de Lima Brizolla Steagall, em bom estado, com uma das notas ainda cheirando tinta do Banco Central "deles", acho que a efígie era um tal de Jackson or something like that.

Jóias, de fato, haviam.

Colares de pérolas verdadeiras, cultivadas e pulseiras idem, que as vezes eu tinha acesso, bem como estolas de um bicho empalhado, que supus ser uma raposinha, com olhos em contas-de-vidro que achava que tinham ficado rubras por um flash congelado, pois eram tingidas de vermelho, motivo de ódio de minha cachorrinha "Jóinha" (por que ela "era jóia", gíria dos anos 70 e batizada pelo meu irmão Fábio Steagall em férias em Águas da Prata ), que as vezes, trucidava a estola, talvez, pelo cheiro do animal ainda presente na pelagem.

Relógios de pulso, de fato, haviam.

Um feminino, com coroa minuscula, todo em ouro, "17 Jewels" inscrito em corpo 5 no mostrador, algarismos simulados como barras divergindo do centro e meu prório relógio, um Timex LCD comprado no Mappin, propelido á bateria do tamanho de um 2 botões empilhados.

Cofre oculto, de fato, haviam.

Uma latinha retangular de cantos arredondados, com o indefectivel furo em cima, grande o pabastante prá voce inserir notas de dinheiro como se fosse um voto, quase uma embalagem metálica de Kitut de Porco da Swift, cujo rótulo impresso lia-se COMIND, onde eu tinha uma conta de poupança pessoal na agência aos pés do Edificio itália, extratos devidamente impressos mecanograficamente.

Voltamos prá fora de casa, na calçcada sem árvores da Rua Mauricina (será que era irmã da Marcelina, a rua que nascia alí perto?), esperando a Polícia, que chegou em um Fusquinha, o radio chiando na cabine, uma interessante sirene branca no teto, parecendo um microfone de crooner de big-band.

Os Militares entraram na casa com DNA inglês-ferroviário, resistente, grande, bonita, com quintal nos fundos e jardim na frente, cautelosos, arma no coldre desabotoado.

Eu os acompanhei de perto, minha mãe mandou orientá-los pelos cômodos, eles iam me perguntando onde estavam e o que havia adiante, eu, me sentindo SUPER-IMPORTANTE.

No corredor, se detiveram e eu disse: "Aí é o quarto de minha mãe". O PM empurrou a porta de leve, ela voltou. Ele sacou o 38 e chutou a porta, ela voltou com uma violencia inacreditavel e bateu, travando-se.

O outro PM deu a volta, quando eu disse que tinha uma janela. Um tempo que durou séculos, eles se falaram e o PM de dentro abriu a porta com calma, arma de volta no coldre.

Havia uma enceradeira da Arno atrás da porta e, quando ele a empurrou, a haste devolveu o movimento, num susto compreensivel, a sensação de "alguém", era muito forte demais, prá ser ignorada.

Eles sairam e pegaram uma prancheta de Eucatex na viatura, fazendo perguntas prá minha mãe, enquanto eu investigava as minhas gavetas do guarda-roupas e escrivainha que me humilhava, pintada em um tom que nuinguem me enganava que era um cor-de-rosa, absolutamente ridículo, "era de uma menina", soube tempos depois, devidamente re-pintada do mais abosulto e sublime branco que encontrei na loja de tintas.
Meu segundo encontro que tive com a Policia, fica prá proxima.

23 de fev. de 2010

LÂMPADAS "ECONÔMICAS": SUCESSO OU FRACASSO?

Nove anos depois do Apagão que afetou de norte à sul do país no ano de 2001, a adoção desastrada e precipitada das chamadas "lãmpadas fluorescentes compactas" (FCL) pela população brasileira, parece dar sinais de esgotamento, senão definitivo, com certeza, destacadamente notável, do ponto de vista de sua iniciativa e incentivo originais.

Qualquer residência norte-americana de padrão médio, possuí no mínimo 110 "bicos-de-luz", algo abolutamente impensável numa casa brasileira típica e, curiosamente, importamos também mais essa bobagem (não bastasse um tal de "Rélouim"...)  de um país escuro, gelado e nevado, para adaptarmos em terras ensolaradas, quentes e úmidas, ao invés de contarmos com a arquitetura e o correto dimensionamento das portas e janelas, horários de verão, incluídos.

No afogadilho, como parece convir à nossa crônica falta de planejamento, com tons vividamente patrióticos, não foram poucas as famílias as quais, do dia para a noite, se viram na oportunidade em abraçar uma, digamos,"causa ecológica", trocando suas onipresentes lãmpadas incandescentes, as quais estão instaladas de motos á barcos, de aviões à carros, de aparelhos de endoscopía, à aeroportos, de estádios de futebol á iluminação de ruas e avenidas, pelas tais fluorescentes, estas, dezenas de vezes mais venenosas.

Da cada vez mais extensa galería dos desastres nacionais, a falta de chuvas que esgotaram nossos reservatórios em pleno umbral do Século XXI, inaugurou em seguida uma corrida comercial às importações, com prateleiras de supermercados abarrotadas com o mais puro lixo chinês, a sucata eletro-eletrônica prontamente recusada em países sérios, que respeitam seus consumidores que lhes pagam e lhes sustentam via impostos, muito mais baixos que os pornográficos impostos pagos pelos cordiais -e sempre tão divertidos- brasileiros.

Em suas casas, milhares de famílias, puderam, enfim, jantar em ambientes domésticos, cujas iluminações mais pareciam reviver um filme de Nosferatus, com suas superfícies visíveis em tons esverdeados e alimentos à mesa que mais se pareciam uma autópsia abjeta, sem contar a própria penumbra percebida, tudo em nome de uma economia coletiva e necessária, enquanto os ricaços nacionais adquiriam à juros baixos, potentes geradores diesel de 2.000 cavalos, ligados automaticamente em caso de "black-outs", artefato que só se viam, pasmem,  em grandes hospitais, sabem como é, as águas das piscinas não podem esfriar assim, sem quaisquer imprevistos.

Tentando corrigir essa verdadeira hecatombe luminotécnica, os fabricantes criaram a "luz amarela", nada mais que o próprio tom de nossa estrela central da qual nós, os primatas (denominados "superiores") estamos habituados, olhos e memórias, lá se vão 1.000.000 de anos, porém, no observar atento às casas, oficinas, escritórios, clínicas, estúdios, ateliers, e lojas, apenas para citar os cenários londrinenses, a feiúra inconcebível de uma bela idéia original gerou, no máximo, o canto do cisne: O confôrto visual (de resto, necessário à alma e á existência humanas, tanto como são o oxigênio, o alimento, o sono, o trabalho e o lazer), sobrepujando largamente a aprentemente inútil "necessidade" em obtermos contas de luz com faturas mais baixas, "salvando" a Terra, quais super-heróis anônimos.


"Quantos de nós, estamos realmente 
preocupados com os destinos de um 
pequeno e frágil planeta, do qual 
dependemos integralmente dele, 
para sobrevivermos?
Quantos de nós, estamos realmente preocupados com os destinos de um pequeno e frágil planeta, do qual dependemos integralmente dele para sobrevivermos, brincando de ecologistas superficiais, sem avaliarmos os reais impactos de uma decisão aparentemente inocente, como optar por formas de iluminação doméstica, por conta da redução das águas que movem turbinas hidrelétricas, em uma região sujeita à 260 dias de pleno sol, por ano?

Torço pelo dia, em que alguma montadora de automóvel realmente inteligente e inovadora, lance carros com suas pinturas permanentemente fôscas, eliminando para todo o sempre a hoje bizarra necessidade de nos exibirmos às ruas em automóveis com aspecto sempre "molhado", envernizados e espelhados como lacas chinesas, isso sim, uma herança abjeta do século passado, com trilhões e trilhões de litros de água (potável!) de nossos reservatórios, containners de detergente, toneladas de polidores desperdiçados, em um verdadeiro Trabalho de Sísifo, cuja durabilidade tão efêmera quanto inútil, faz o termo "carro limpo", soar como uma contradição em termos, para não afirmarmos arrogância juvenil.

Limpo, prá quem, cidadão?

CHRISTIAN STEAGALL-CONDÉ
arquiteto, LONDRINA (PR)

15 de fev. de 2010

SOBRE AS NUVENS
















  
A primeira foi com tenros 10 anos, talvez 11, não tenho tão boa
precisão nisso como nossas impressionantes mulheres e suas
desgraçadas habilidades imemoriais no quesito data passada,
infernizando nossas existências com essas macro estupendas
BOBAGENS uma vez quê nós, os homens, não sabemos, não
queremos, não vamos e... mesmo que queiramos, ardorosa e
apaixonadamente, entender. Sim, nascemos assim, prontos.

Mas a primeira vez a gente nunca esquece. Isto deve se dar
por causa de algum mecanismo milenar de nossas primatas
sobrevivências, aquele método que um cara descobriu sobre
nossos cérebros mais ou menos evoluídos interage com todo
o entôrno e como que processando dados sempre entrantes
faz prá funcionar tão bem, sem ferver, sem reboot, sem zicas.

É o tal ´a primeira impressão é a que fica´. Para o infortúnio e
muita comédia da maioria dos existentes, essa impressão é
quase indelével no ´´Outro´´ e não raro, ela não condiz com o
que voce de fato é ou, na pior das hipóteses, em se batendo
com o que de fato voce é, isso é irrelevante prá voce, prá ele,
prá quem te vê, pois se esse alguém puder te conhecer um dia
lá virá a frasezinha ´´Nossa, antes eu pensava de voce...´´ etc.

Minha primeira vez nisso deu-se à 10.000 pés de altitude (e
olha que desde então, eu estou BABANDO prá ter sim uma
chance de escrever isso, PQP, consegui, isso é uma delícia
e me causa um torpor de bliss, de bem estar, então, quero
repetir a frase que me faz tão bem e sempre quis utilizá-la:)

Minha primeira vez nisso deu-se à 10.000 pés de altitude (Ah!)
à bordo de um jato comercial de transporte de passageiros de
fabricação norte-americana, durante curto vôo da Ponte Aérea.

Eu gostava demais de embarcar em Congonhas ( que quando
moleque, adorava sacanear a palavra falando POMBONHAS
até por que tinha a palavra POMBO no meio, e eu ría a beça
com isso, Todo Jovem É Idiota, Paulo Francis, soube depois )
com destino ao a[erodromo de Santos Dumont, que achava
que tinha sido um lugar de atracação dos Dirígiveis Alemães.

Pela minha idade tão pouca, quiseram essas maravilhosas,
magníficas, soberbas e inteligentíssimas Companhias Aéreas
brasileiras decretar que meninos embarcando sozinhos como
eu, SIM SENHORES, sempre deveriam acomodar-se lá nos
fundos, num assento resevado AO LADO DA AEROMOÇA !!!

Não sei o que deve ser a sensação de se ganhar na MegaSena,
o que aprendi é quê, dos que ganharam a euforía passa e iniciam
os problemas, pois dinheiro nasceu como, ainda é e para todo o
sempre vai ser uma FERRAMENTA, mas eu trocaria ganhar na
loteria por aquelas sensações minhas, indivisíveis, intransferíveis.

Não, não!!! Não experimentei à 10.000 pés de altitude uma bela,
brilhante e estupefaciente ereção, por causa daquela aeromoça
linda de doer meu peito, pois nessa altitude da minha existência,
o que minha tia Walquíria chamava de ´´Bilim´´ parecia algo meio
como um micro-amendoim e creio que tinha dúvidas se a verruga
sairia do estado engraçado de dormência naquele dedinho micro.

À 10.000 pés de altitude, eu me inclinei da poltrona, abandonando
a atmosfera embriagante daquela comissária mulher tão sorridente
e destinda à viajar sentada bem ao meu lado, prá me concentrar
numa das cenas mais magníficas que eu jamais veria novamente,
ao menos, não daquela forma, não naquele formato, não na cor.

Abaixo da aeronave que roncava suave, mas com gerava uma
espécie de um sub-som surdo e grave, o One-Ekeven produzia
um contorno suave que corria sobre um edredon de nuvens, no
projetar de sua propria sombra do sol fraco rumando à oeste.

O que me arrebatou, nem foi a sombra em sí mas a oportunidade
de comparação daquele insignificante penumbra, num rasante
rápido, a gente podia sentir enfim a passagem da aeronave no
espaço aéreo, pois sem nuvens voce não tem referencial e fica
naquele tapete voador vibrante com um ronco surdo servindo de
potente ruído de fundo, voar que é bom com velocidade, nada.

Não, não era a sombra alada em sí. O que me apunhalou de fato
a existência, como se a cena me pagasse pela cabeça e me
enfiasse janela fora foi algo simples que, talvez por isso mesmo,
passe desapercebido por todos os embarcantes, sempre tão
sisudos, já velhos em suas existências, ainda que jovens fossem.

O que me extasiou... foi o imenso edredon de nuvens levemente
azuis e rosadas ao mesmo tempo, talvez cinzas mas também me
pareciam brancas... um gás suave ondulado, visivelmente solto,
vapor d´água intangível mas visível, estranhamente compactado.

















Minha preciosa e agora intangível camera fotográfica Kodak 54-X
Instamatic que usava Cartridges C-126 Ektachrome ( não sei o
por que, só fotograva em slides, mesmo sem projetor em casa )
jazía no bagageiro onde um trator gozado imitando um trenzinho
de vários vagões engatados fizera chegar à aeronave no pátio
cerca de uns trinta minutos antes, quando ainda presos ao chão.

A Aeromoça comentou algo, sorri pra ela mas me deu vontade
de xingá-la dizendo-lhe IDIOTA, CADÊ MINHA CAMERA, QUE
UTILIDADE TEM VOCE AQUI SORRINDO PRA MIM E MINHA
CAMERA DENTRO DESSA MERDA E EU NÃO POSSO NEM...


Não. Não tinha idade pra pensar isso. Mas deve ter sido quase.

A segunda vez, foi num vôo São Paulo - Campo Grande, não
me lembro o equipamento, deve ter sido um outro Boeing, o
Brasil era coalhado de Boeings àquela época de VASP, da
TRANSBRASIL e da VARIG e novamente nesse vôo que
o repeti às dezenas...


Mas daí, isso já é outra historia.

5 de fev. de 2010

O HAITÍ É AQUI...

5.000 ...x... 0

O coordenador da Defesa Civil do Estado do Paraná, divulgou números nessa primeira semana de Fevereiro de 2010, dos quais considero algo perto do estarrecedor, prá dizermos o mínimo:

Cinco mil voluntários (5.000!), só daqui do Paranã, estão alistados -e na fila de espera- para praticar "ajuda humanitária" no longínquo e quase inacessível Haiti...


R E P E T I N D O:  
5.000 neguinhos, querem ir hoje prô Haití

Contra zero (0!) voluntários alistados, para praticar ajuda humanitária no Norte Pioneiro, este, com municípios isolados e com parte de sua população -brasileira, quero supor- em risco de sede, de passar fome, contrair doenças e enfretnando desabastecimento geral, sem contar os traumas inerentes à tragédia.


R E P E T I N D O:  
"0"  neguinhos, querem ir prô Norte Pioneiro

Talvez, pelo fato desse tal de Norte Pioneiro ser "logo ali"...


...e não sair nas mídias com tanta ênfase, além de uma tal de ONU, não ter a mínima idéia de onde ele fica...

... os necessitados ilhéus do Caribe, valem bem mais que nossos hoje ilhados paranaenses.

Tanto em uma tragédia, como a outra, deixo esses três alertas: 


i.) TERREMOTOS NÃO MATAM PESSOAS;
E sim, a arquitetura que está erigida sobre ele. 

ii.) CHUVAS NÃO CAUSAM ESTRAGOS;
E sim, as infra-estruturas mal instaladas sob elas. 

iii.) RESSACAS NÃO DESTROEM LITORAIS;
E sim, as ocupações que invadem seus limites. 

iiii.) ENCHENTES NÃO DESTROEM CIDADES;
E sim, retornam em suas cotas de elevação natural;

Estas, de resto, são  graficamente conhecidas, como sempre as enchentes tem feito sistematicamente, a pelos menos uns 400.000 anos.

Aos Míticos e Místicos de plantão, sosseguem em suas sanhas puerís e, de resto,  mal contaminantes: 


A sensação repentina de descontrole global e/ou vingança da Natureza, é artificialmente criada e infantilmente mal compreendida, ainda que seja fato o "estarmos experimentando" alterações irrevogáveis, como o Aquecimento Global.

Não se trata de achar que o mundo atual ficou muito pior, mas sim, que a imprensa contemporânea ampliou extraordinaria e onipresentemente a sua cobertura, não lhe escapando quase nada. 


Só falta eu ouvir desses molambos de araque, leitores de horóscopo, consultores de cartomantes e ouvintes de médiuns, sempre tão "sensíveis" e "inspirados"...

... que o "Google" é próprio Deus, Onipresente e Onisciente ...

... do Qual só estava aguardando o momento "mental e fraternalmente propício", Dele se manifestar, entre "nós", pobres miseráveis e tão dependentes humanos...


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PS: Passados 500 anos de estadía gratuíta no continente sul-americano, nós, os chamados BRASILEIROS, tão afáveis, cordiais e musicais, ainda não conseguimos nos enaltecer com o próprio clima que nos envolve, não conseguimos ser gentis com nós mesmos e não encontramos o tom, que nos faça compreender de como europeus, africanos e orientais de berço, deveriam ocupar o vasto território que nos compete zelar e preservar ás gerações futuras, com alguma mínima coerência e econômica conveniência...